Sobre o vácuo e as palavras

Não existe vácuo de poder!

Essa frase diz muito sobre nossa história, não a do Escambau: a história do homem. Mas sim, tem um pouco a ver com o grupo, pois foi ela que me levou a questionar se havia um vazio cultural em Fortaleza. Talvez falar de cultura seja muito amplo, mas e de “cultura literária”?

Fortaleza é uma cidade que se orgulha de ter grandes nomes na literatura nacional, com fortes movimentos culturais ligados às letras, como Os Oiteiros, a Padaria Espiritual, o Clã, O Saco, o Grupo Siriará, e a própria Academia Cearense de Letras. Mas por que estou falando disso tudo? O que isso tem a ver com o Escambau?

A questão é que o Escambau se mistura com a minha história e com o o cenário de Fortaleza quando decidi me tornar um escritor.

Sim! Eu decidi, meio que do dia pra noite, que seria um escritor profissional (e minha noiva me apoiou, te amo Juliana!). Precisamente, depois de ouvir o Nerdcast 379, sobre Literatura Fantástica Brasileira, dia 9 de setembro de 2013. Sempre criei histórias, fosse para o RPG ou somente para mim, mas raramente (para não dizer nunca) essas histórias chegavam ao papel. No começo do ano de 2013, tive um ímpeto parecido com o que tive após o Nerdcast, porém, após uma fracassada tentativa de escrever um livro, eu meio que tinha abandonado a ideia. Até ela voltar com força total. Talvez essa seja a primeira semente do Escambau, porque dessa vez eu tive mais calma e busquei onde estudar, cursos, oficinas e grupos. Nada. Não posso dizer, com certeza, que não existissem, mas não os encontrei. Pelo menos nada além de alguns grupos de Facebook que se dedicavam mais a disputas de ego do que a se ajudar de fato.

Então a priori eu desisti da busca, e comecei a escrever por mim mesmo, mas o sentimento de estar perdido não me abandonava.

Eu acompanhava um site dedicado a literatura fantástica chamado www.Intocados.com e conhecia o administrador do site, o Anderson Tiago. Sugeri a criação de uma coluna de contos autorais, composta por escritores amadores ou ainda desconhecidos do grande público. Eu me dispus a fazer tudo, desde selecionar os escritores até revisar os textos (perdão pelos erros que passaram). E o Anderson topou.

Finalmente, os pseudogrupos de ajuda serviram para algo, pois foi neles que eu fiz a seleção dos autores do Intocados.

Preciso reservar um momento aqui para ressaltar que eu era completamente inexperiente na escrita, já havia lido bastante, mas me faltavam técnica, esmero e muitos conhecimentos de gramática, ou seja, eu não era exatamente a pessoa mais competente para gerenciar uma coluna literária (perdão, Anderson). Mas eu tinha vontade de aprender e uma consciência muito grande da minha inépcia, o que me fez muito aberto a críticas e sugestões.

Por sorte do destino, a equipe que eu montei de escritores foi muito boa, e me ajudavam muito na gestão da coluna, principalmente um rapaz conhecido de todos os membros do grupo: Moacir de Souza Filho.

Moacir é parte fundamental da história, pois, ao contrário de mim, ele já possuía excepcional refino e domínio da escrita, associado ao seu background de leituras, muito ligado aos clássicos (enquanto eu sou grande fã de cultura pop). Ele passou a editar e revisar meus textos (provavelmente esse também), o que foi fundamental para o meu amadurecimento como escritor. E, coincidentemente, o Moacir é de Fortaleza.

Apesar da coluna e da prática constante, ainda sentia falta de um ambiente voltado a ajudar e a desenvolver a literatura num sentido mais técnico. Foi então que decidi convocar pessoas que eu conhecia e sabia que escreviam para montarmos um grupo de criação literária.

Fizemos uma reunião para tentarmos entender melhor o que queríamos com o grupo. E como isso acabou não ficando muito claro, na hora de decidir o nome, nosso caro Michel Euclides soltou o “Escambau”, resumindo de maneira perfeita aquele caos que tentava tomar alguma forma.

 Então, foi justamente do “vácuo de cultura literária” que o Escambau surgiu. Na minha cabeça, a ideia era simplesmente ajudar as pessoas que sentem esse desejo louco de escrever. Ajudá-las a não ficarem sozinhas, ou perdidas, ou mesmo desestimuladas pelas inúmeras situações que eventualmente aparecem. Estimular uns aos outros, aprendermos uns com os outros e partilharmos nossa literatura, seja para fins profissionais ou mesmo para amenizar o peso da vida com poesia e arte.

No fim, não havia um vazio de cultura literária: o que tínhamos era um vazio de formação técnica, de cursos e de grupos. Encontramos inúmeras pessoas interessadas em fazer literatura, em produzir e criar. O que o Escambau acabou fazendo foi juntar essas pessoas. Aliás, se você é uma dessas pessoas, sinta-se convidado a entrar no nosso grupo.

Ainda não sabemos muito bem o que é o Escambau, e eu sinceramente espero que continue assim. Porque o Escambau é isso: uma eterna busca, um eterno preencher de vazios.

Idealizador do Escambau, escritor, estudante de História e fã de cultura pop. Somente após vinte e seis anos criou coragem para colocar para fora suas aspirações literárias.

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