É JUNHO, É SÃO JOÃO!

É chegado Junho… A primeira coisa a ver são as bandeirinhas coloridas presas no barbante, espalhadas por todo o terreiro, sacudidas pela brisa morna. Depois, sentir o cheiro do milho – cozido ou torrado –, e observar nas mesas e barraquinhas, os bolos, pães e doces expostos.

A fogueira acesa, gente de roupa xadrez e vestidos rodados cheio de babados, chapéus de palha e tranças… por todo o lugar. Há cores, luz, calor e o barulho que só as pessoas felizes conseguem fazer, acompanhadas de sorrisos, sardas, bigodes e dentes pretos pintados.

Em todo lugar é alegria. Pode ser uma festa simples, pode ser algo mais chique, não importa: onde há um sanfoneiro tocando um “forrózin”, logo vão se formando pares e todos começam a dançar. Formam filas, dão-se as mãos, trocam de lugar: é um tirar o chapéu, fazer reverências com a aba do vestido, entrança, dança solta… coisa linda de se ver.

É um doce bem querer que se espalha, um clima caloroso que aquece o coração. No arrasta-pé, a poeira levanta e os sorrisos se espalham nos rostos suados de tanto dançar. O bum-bum-bum do zabumba, o fom-fom-fom da sanfona, o tlin-tlin-tlin do triângulo: é uma festa tranquila, mas cheia de alegria. Ninguém consegue ficar parado, todos seguem os comandos do puxador.

Aqui e acolá o pessoal se escapa, de mãos dadas, para fazer não sei o quê; outros dão uma passadinha na Barraca do Beijo, mas ninguém sabe muito bem o que estão indo fazer lá. Todo mundo passa desconfiado perto da Cadeia, com medo do Delegado, que tá lá, de cara feia e bigodão. Mas, o que todo mundo espera mesmo é o casamento matuto, quando o noivo e a noiva recebem a “bença” do Padre, e a confusão, mais uma vez, vira festa.

É bonito demais de se ver.

Se você procura se divertir, dá uma voltinha ali pelo Nordeste, no Sertão, pelo cangaço. Cada cidadezinha, por menor que seja, organiza um São João colorido e animado, cheio de gente bonita e doida para dançar, com comidas e bebidas deliciosas para provar.

É um fuxico só, coisa boa que fica na memória para sempre.

É assim o nosso São João. Vem com a gente?

Nativo de um século analógico, fã de literatura de FC e Horror. Contista e poeta, escreve por necessidade. Músico e fotógrafo amador, acredita que a beleza do mundo reside no fato de não haver sentido (ou segredo) algum.

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Michel Euclides

Nativo de um século analógico, fã de literatura de FC e Horror. Contista e poeta, escreve por necessidade. Músico e fotógrafo amador, acredita que a beleza do mundo reside no fato de não haver sentido (ou segredo) algum.