Ponte

eu na ponte observava os meninos sobre as pedras
meus óculos embaçados pela maresia impediam de ver os detalhes dos corpos
os meninos
beijavam, abraçavam desesperados como se o abraço, o beijo indicassem a vontade de
viver, o medo, as alegrias e excitações do momento
sinto um pouco de vergonha
fiquei ali observando discretamente
agora transformo de forma virtual
o momento de prazer dos meninos
talvez eles nunca entrarão em contato com este
pobre texto
contudo, eu sempre
sempre
lembrarei dos meninos sem nome, sem rosto, sobre as pedras
enquanto eu corroído pela maresia balançava sobre a ponte

Estudante de Secretariado, alguém indeciso entre as humanas e
exatas. Curte rock indie, música francesa, livros de suspense e contos de terror. Não é poeta, mas gosta de transformar vários momentos do comum em algo que possa ser compartilhado.

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George Almeida

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