Mensagem de texto

Depois de ler a mensagem pela quinta vez, Paula ainda olhava indignada para o celular que começou a tocar em suas mãos. No display, leu o nome do Ricardo, o que a motivou a demorar a atender. Do outro lado da linha, alguém mais empolgado dava inicio ao dialogo:

– Alô! Oi amorzinho! Recebeu minha mensagem?

– Recebi e preciso perguntar qual o teu problema, Ricardo?

– Como assim, Paula? O que tem de errado na mensagem?

– “Como assim”, digo eu, não é querido? Você sugere passar aqui às 15hs e me levar para um Motel. Onde já se viu isso? Ainda está claro Ricardo!

– Meu bem, onde está escrito que só se faz sexo à noite?

– Não é isso, por acaso eu tenho cara de adultera? Eu tenho cara de infiel? Anda, fala! – gritou exaltada.

– An? Eu chamo minha esposa pra quebrarmos a rotina de nosso casamento num dia e ela do nada se torna uma conservadora maluca pendendo ao fanatismo, é isso? O que tá acontecendo Paula? Andou curtindo a pagina do Feliciano, foi?

– Argh. Primeiro sem ofensas, segundo, não é loucura! Todo mundo sabe que só quem frequenta esses locais em períodos diurnos são pessoas casadas acompanhados de seus amantes. A-MAN-TES, escutou, Ricardo?

– Quê? Onde você viu isso? O IBGE agora tá fazendo pesquisas especificas sobre motéis?

– Pode brincar a vontade, mas gente de bem está trabalhando no horário comercial e não com sede desvairada de sexo que não consiga esperar até a noite.

– Quer saber, olha, passou até o tesão depois disso. Por que você não vai a uma Missa, ou sei lá, lê a Bíblia ou uns twittes do Pe. Fabio de Melo que eu vou ter que desligar, tá.

– Ricardo? Ricar…

– Tu,tu,tu,tu…

“Será que o Pe. Fabio de Melo diria que não ha nada de errado em ir a motéis acompanhadas do marido independente do horário, gente? Que droga, diria sim.”, balbuciou, inconformada, pondo o celular em cima de um móvel.

Feminista, estudante de Administração e uma bairrista apaixonada pelo seu Bom Jardim das artes. Tem amor pelo grunge e horror a rótulos, conforme demostra desde 2013 no blog Feriados de Mim. Escreve para explorar questões humanas e para não desaparecer.

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Cristina Braga

Feminista, estudante de Administração e uma bairrista apaixonada pelo seu Bom Jardim das artes. Tem amor pelo grunge e horror a rótulos, conforme demostra desde 2013 no blog Feriados de Mim. Escreve para explorar questões humanas e para não desaparecer.