Os selos do Mar

I

Escrever um nome como a água

que desce pelas mãos. como quem chove

uma espuma tardia, esse mínimo sangue

no ronco imenso das artérias.

como quem ama

estamos mergulhados com os rubis do ventre

no mais profundo esquecimento.

como quem ama

a dor mais água e pedra e fruto indiferente

e escrevê-la como quem existe e presto

semeia um verso aos amavios.

armar um poema

sobre as cores mais áridas, sobre os pomares e as sílabas

como quem ama

Ouço do mar a página que canta

no mesmo silêncio

II

Há um oceano em cada substância

um pássaro com os olhos encerrados

nas ondas.

se quando olhamos não vemos e nem somos:

Somos o musgo nos ossos, o livro nas palmas

por muito pouco morremos

mas renascemos

com um ramo na boca, uma mão na outra

à interna primavera.

III

Assim como cai a água e fecham todos os olhos

assim uma flor nasce nos meus ombros

junto à dor que é nome pólen folha

dos meus ombros nascem dor e pétalas

água que desce pelas mãos,

sangue, silêncio

assim escrevo como a chuva que desce

escrevo o meu nome

                                   que morre no ar

Tem 21 anos, escreve desde os nove anos por motivos quase que biológicos e sem saber o porquê: apenas escreve como respira. Já teve poemas publicados nas revistas Mallarmargens, Desenredos, Subversa e Elipse da Espanha. No jornal de literatura Plástico Bolha, publicou o soneto “planificação do mar”.

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Heitor de Lima

Tem 21 anos, escreve desde os nove anos por motivos quase que biológicos e sem saber o porquê: apenas escreve como respira. Já teve poemas publicados nas revistas Mallarmargens, Desenredos, Subversa e Elipse da Espanha. No jornal de literatura Plástico Bolha, publicou o soneto “planificação do mar”.