Deixa eu

Deixa minha mão pousar sobre ti.

Natural, suor, sal, saudade:

Espalhar ondas de prazer,

Um arrepio –

A ponta da língua cheia de segredos

Sussurros

Na noite que se inicia.

Deixa eu ser teu amanhã

Teu lençol, colchão, teu travesseiro

Ser o primeiro a te ver

Linda, assanhada, avessa.

Abraçar-te com braços mornos e suaves

Intenso, tenso, infinito

Recusarmos juntos o despertador

Receber as réstias de sol

Com sorrisos bobos

Deixa eu ser tua canção

A razão de teu sorriso no retrovisor

Teu segredo bem guardado em olhos brilhantes

Um desejo mal contido pelas roupas

Gestos dúbios de felicidade e malícia

Lábios vermelhos, úmidos

Mordidos

Mordidas

Deixa eu ser tua pele

Viver sob tuas unhas

Ser teu complemento

Teu cliché

Teu par

Deixa eu

Ter você

Só por esta noite

Nativo de um século analógico, fã de literatura de FC e Horror. Contista e poeta, escreve por necessidade. Músico e fotógrafo amador, acredita que a beleza do mundo reside no fato de não haver sentido (ou segredo) algum.

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Michel Euclides

Nativo de um século analógico, fã de literatura de FC e Horror. Contista e poeta, escreve por necessidade. Músico e fotógrafo amador, acredita que a beleza do mundo reside no fato de não haver sentido (ou segredo) algum.