STAR TREK: SEM FRONTEIRAS

Star Trek: Sem Fronteiras (Star Trek Beyond, 2016)

Direção: Justin Lin
Roteiro: Doug Jung , Simon Pegg
Elenco:  Chris Pine , Zoe Saldana , Anton Yelchin , Zachary Quinto , Karl Urban , Simon Pegg , Joe Taslim
Duração: 122 min
Classificação: 12 anos
Gênero: Ação, Aventura, Ficção Científica
País: EUA

starstarstarstarstar (excelente)

Ahoy, Escambanautas! Preparados para a minha primeira crítica no Escambau? Que tal irmos de Star Trek: Sem Fronteiras?

Eu sempre fui trekker, apaixonado pela série clássica. Nunca fui um radical, porém: sempre abracei o novo com curiosidade e uma certa ansiedade.

Foi com muito prazer, diversão e emoção que assisti a todos os filmes do cinema com a tripulação original, e confesso que fiquei muito, mas muito feliz com o renascimento da série pelas mãos do multi-Midas J. J. Abrams. Sou suspeito de falar dele, mas é indispensável dizer que ele já fez o impossível algumas vezes, e, com Star Trek, não foi diferente.

Cansei de ouvir céticos e incrédulos a dizer: “Tu é louco? Trazer a tripulação original com outros atores? Isso não vai dar certo!”. Foi sensacional vê-los morder a língua!

O primeiro (novo) Star Trek trouxe de volta os amados Kirk, Spock, McCoy (meu preferido!), Scotty, Uhura e Sulu. Como foi bom ver a união e a amizade nascerem ali, no fogo das batalhas! E a ousadia de uma linha temporal diversa da original?

O segundo filme foi aceito entre as chamas da ira dos trekkers mais ferrenhos, pois houve um jogo de esconde-esconde, e tínhamos, sim, Khan Noonien Singh trazendo fogo e medo ao universo da Federação. Eu, particularmente, não me senti enganado – embora goste mais do primeiro filme. E, sim, o Khan de Cumberbatch me deixou muito feliz, obrigado!

Agora, para o terceiro, houve um choquezinho. O quê? Justin Lin na direção? O cara do “Velozes e Furiosos”? Como assim?

Confesso minha preocupação, e talvez esta seja um dos sinais de que estou realmente envelhecendo. Já foi mais fácil aceitar mudanças.

Depois fiquei sabendo que J. J. continuaria na produção, e que o roteiro seria de Simon Pegg (Scotty) – nerd convicto e fã da série –, e fiquei mais tranquilo.

Ou menos ansioso.

Daí veio o primeiro trailer, uma porralouquice de cenas de ação ao som de “Sabotage”, do Beastie Boys. Aí a preocupação voltou.

Star Trek sempre foi sobre seus personagens, e sobre humanidade, valores e utopias. O claro embate entre o bem e o mal, o progresso e o atraso, o futuro que deu certo contra as ameaças de um passado bárbaro… Mas o foco, meus queridos escambanautas, sempre foi em Kirk e companhia, e seus conflitos, não na ação bruta e desenfreada.

Aí veio o segundo trailer, mais comedido, mais… clássico. Mas isso não me acalmou. Trailers são ferramentas de venda, e, por vezes, conseguem ser melhor que o filme.

Fui assistir ao danado no cinema. Cópia dublada, 3D e tal. Ótimo trabalho de dublagem, uso decente do 3D (embora não seja necessário à experiência – o 2D daria conta do recado numa boa).

Sabem o que aconteceu? Fiquei apaixonado.

A primeira impressão é a de que eu estava assistindo a um episódio da série clássica… O que é mais do que justo, dado que, neste ano, Star Trek comemora seu cinquentenário.

O filme começa com os tripulantes no meio de sua missão de cinco anos pelo espaço, submetidos a uma rotina de confinamento e convivência.

Kirk se questiona, Spock e Uhura passam por mudanças, McCoy continua sendo um poço de reclamações e Scotty… bem, continua sendo Scotty.

Eles param na maior estação espacial da Federação, para uma série de manutenções, quando recebem um pedido de socorro em uma nebulosa. E é aí que a ação do filme começa. Não posso falar mais nada, por correr o risco de “spoilear” vocês.

Os personagens: Chris Pine entrega um Kirk mais comedido e maduro, e isso é muito bom; Zachary Quinto é um Spock bem mais humano; Karl Urban é McCoy, com mais ação e tempo de cena (ele merece); Zöe Saldaña entrega uma Uhura com menos destaque, mas forte e bem resolvida; Simon Pegg continua turrão e adorável com seu Scotty; Anton Yelchin tem menos tempo de tela com seu Checov, mas é impossível desgostar dele. Idris Elba é Krall, com muita maquiagem e uma motivação mais ou menos, mas bem assustador; e Sofia Boutella é Jayla, um dos destaques do filme, correndo o risco de ser personagem fixa/recorrente (suspeito que no lugar de Checov, mas são teorias minhas).

Então, lá vai: Eu curti Star Trek: Sem Fronteiras pra caramba. O clima da série clássica está todo ali, o foco está bem dividido entre todos (TODOS!) os personagens de primeira linha, a ação não é descontrolada – ufa! – mas é frenética, os efeitos e a fotografia são incríveis (Justin Lin inova no uso da viagem em dobra, você precisa ver!).

E da trilha sonora do Michael Giacchino, então, o que dizer? Que linda homenagem à música dos episódios clássicos!

Como retomada e renovação, o filme foi muito bem sucedido; como homenagem, me fez terminar com os olhos cheios de lágrimas. Foi aqui que nos despedimos de Leonard Nimoy e de Anton Yelchin. Sua falta será sentida daqui para a frente com um grande aperto no peito.

Vale a pena demais assistir. Seja só ou com amigos, seja trekker ou não, você, com certeza, vai curtir como eu curti.

Vida Longa e Próspera!

Nativo de um século analógico, fã de literatura de FC e Horror. Contista e poeta, escreve por necessidade. Músico e fotógrafo amador, acredita que a beleza do mundo reside no fato de não haver sentido (ou segredo) algum.

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Nativo de um século analógico, fã de literatura de FC e Horror. Contista e poeta, escreve por necessidade. Músico e fotógrafo amador, acredita que a beleza do mundo reside no fato de não haver sentido (ou segredo) algum.

  • Moacir Marcos

    Cara, também adorei o Khan feito pelo Cumberbatch, e fui um dos poucos trekkers a curtirem o segundo filme. Estava bem cético quanto a este terceiro, apesar do roteiro do Simon Pegg e tal, mas assistirem.

  • Diego Sampaio

    o Anton Yelchin morreu, fiquei triste, ele era Checov perfeito.

    • Moacir Marcos

      Pois é! Não me conformo.