Dependência ou Golpe

Dizem que política, futebol e religião não se discute. Mas também dizem que apontar estrelas dá verruga no dedo.

Não sei se Pelé foi melhor do que Maradona. Não vi Pelé jogar, mas vi as arrancadas do Messi e a agilidade das pedaladas de um tal Robinho. Ninguém ligou para as pedaladas de um baixinho talentoso, basicamente porque futebol não é realmente importante, então, a opinião pode sim correr livre, influenciada pela paixão por um time ou atleta. Viva Adriano Imperador! Viva Marta!

Algumas pessoas não se importam com política. Seria egoísmo demais ou apenas descrença? Não se importar com política é perigoso. Não se importar com futebol ou religião é apenas achar outras formar de entretenimento mental.

É necessário debater política. É necessário se informar densamente para se chegar a conclusões mais acertadas. É uma responsabilidade enquanto indivíduo de uma sociedade complexa. É preciso entender de política e acreditar numa gestão abrangente e responsável. A brilhante cobrança de falta do Neymar não vai interferir na geração de empregos e nem vai garantir os direitos trabalhistas.

Hoje, o Brasil novamente mancha as páginas dos livros de história com um golpe à democracia. A democracia é a garantia de que um estado atende às expectativas e necessidades de uma maioria. A democracia legitimiza. Não se golpeia a democracia em 2016, é perigoso e irresponsável, tipo não se importar com política ou não criticar as verdades religiosas.

Quanto mais um povo não se importa ou não se aprofunda no tema Política, mais frágil e menos estável é o país. Um povo apolítico opina mais o que conclui. E opinião é algo muito fácil de sofrer interferência por paixões, egoísmo e insistências midiáticas. O golpe foi televisionado. A revolução não será.

Sinto vergonha pelas representatividades no Senado e na Câmara dos Deputados. Muitos desses homens (praticamente a totalidade, infelizmente, em 2016) chegaram à posição que ocupam por um deslumbre popular dos brasileiros que ainda votam em quem fala bonito, quem parece patrão, quem tem sobrenome ou investimentos em determinadas áreas do país. Tasso Jereissati se elegeu com o jingle de “galegim dos ói azul” no Ceará de poucos anos atrás, não esqueçam dessa amoralidade.

Não estou afirmando a burrice política da massa. O povo brasileiro é muito inteligente, até onde concluí nesses vinte e cinco densos anos em que ando vivendo nesse rolê existencial. Mas é notável a desesperança e o desinteresse pela essência política. Alguns autores até creem que os pobres usurpam as crenças dos ricos, como se suas militâncias e interesses fossem comuns, mesmo em tão gritante distância socioeconômica entre tais grupos.

Os pobres brasileiros ainda têm pouco acesso a fontes livres e não tendenciosas de discursos políticos, aí torna-se comum ver a reprodução dos discursos dos ricos, dos empresários. O próprio argumento do aumento do desemprego no país superar o do clamor pela seguridade dos direitos trabalhistas é um exemplo. A mídia mata.

Existem formas econômicas de se diminuir ou driblar uma crise. Hoje, o governo golpista entende que é cortando conquistas do povo. Do pobre. E não é opinião. É fato noticiado até por quem tenta florear os atos desse “governo”. Os golpistas não aceitaram que o acúmulo de riquezas da elite fosse minimamente posta em risco com a crise. Que o povo pague! Só o povo! Trabalhe! Trabalhe! Meritocracia! Trabalhar é um direito humano, cabe ao estado garantir isso.

É ofensivo achar que, em 2016, essa postura passaria despercebida por todos. Alô alô internets. Viva a democratização da voz. Somos muitos INCONFORMADOS com o Brasil de 31 de agosto de 2016. Agostos, tristes, agostos. Aguardem, a crise econômica se mostrará pequena diante da crise política que teremos nos próximos dias. Um Brasil em corda bamba, pois não se pode governar só para benefício de poucos. Lembram? Democracia tenta validar o interesse da maioria.

A elite tem que entender que prosperidade e melhoria de vida não podem ocorrer só para ela. Não se pode com a responsabilidade do intelecto humano sair por aí condenando governo e pedindo impeachment por conta do preço da gasolina. É inegável que os pobres nunca estiveram tão bem no Brasil, ainda que longe do que se esperaria de 2016. Tivemos anos de crescente avanço social. Só o avanço social traz satisfação, seguridade e progresso para todos.

Hoje, damos um passo para trás. Hoje, as elites conseguiram fazer a parte pouco interessada por política acreditar que a saída da crise é tornar pago o ensino superior. Isso é um crime contra os pobres. É um crime geracional. Hoje, as elites conseguiram que a CLT fosse questionada, porque pagando menos e menos direitos, surgirão mais empregos. Talvez a elite até possa voltar a ter uma empregada doméstica em casa em tempo integral.

Não se cortam direitos trabalhistas em 2016.

É um crime, em prol de poucos interessados, e sem base numa análise econômico-financeira, entregar o pré-sal. Estamos vendendo ouro a preço de banana. O mundo nos vê com compaixão, toda a imprensa internacional já se manifestou contra a farsa do impeachment sem crime de responsabilidade. SEM CRIME DE RESPONSABILIDADE, guardem isso, é importante, é história. Você conhece algum historiador pró-impeachment? Voltamos a aceitar a condição de república da banana. Banana da Terra Republic.

O pré-sal, administrado pelo Brasil, geraria riquezas para o Brasil. Hoje entregamos aos estrangeiros, por uma parcela ridícula de investimentos. Foi horrível! Hoje, somos vendidos como escravos, com direito a olhar se nossos dentes são bons. Hoje, vendemos terras aos estrangeiros para que eles plantem aqui e nos vendam a colheita. Faltam interessados entre nós para cultivar terra?

Nada dessa reviravolta de ações do “governo” golpista tem relação com o que a chapa Dilma + ‘Fora Temer’ propôs em 2014. Ninguém votou pelos ajustes da CLT ou que a única opção de salvar a previdência fosse que cada trabalhador trabalhasse mais cinco anos. Uma pena. Uma pena. Não é a solução. Não é um país democrático.

PMDB e PSDB em um Brasil de 2016, não! PMDB e PSDB não representam a maioria. A maioria não tem olho azul.

Eu acredito fielmente no processo de terra queimada que sofreu a presidenta Dilma. Existem fatos incontestáveis, e a história mostrará, sim, que as tentativas de acordo econômico para amenizar a crise foram rejeitadas inconsequentemente pela politicagem adversária e golpista desde fevereiro de 2015.

Essa crise, econômica e política, da qual não inocento, em meu julgamento de opinião, o PT, é mais culpa da falta de foco popular por parte dos nossos “representantes” de todos os partidos, do que de uma mulher em posição de poder executivo. Não se governa sozinho, concordo. Não se junta ao PMDB, concordo. Mas prejudicar o país para desmerecer um presidente em exercício é hediondo. A história cobrará.

O senado, hoje, nesse Brasil de 2016, infelizmente, não tem moral para condenar ou julgar algo. É real. É real e não opinião porque temos um Perrella como senador. Um senador dono de um helicóptero particular já é meio absurdo ao meu ver, é longe demais da realidade do povo. Um senador dono de um helicóptero cheio de cocaína que não era dele, aí é o senado brasileiro, hoje.

Permitir essas injustiças de julgamento e continuar permitindo é o maior desserviço que você pode prestar a sua pátria, amada ou não. Aceitar esse escândalo, mesmo que todo o decorrer do julgamento do caso do helicóptero de cocaína tenha seguido os ritos legislativos, é ingênuo. É uma ofensa à inteligência humana. É injusto. Por isso é importante nos informarmos e nos importarmos, para percebermos o justo. Pois uma sociedade sem justiça, uma sociedade que caça Dilmas e absolve Cunhas é uma sociedade sem futuro algum; moral, econômico ou político.

Outra responsabilidade dos que se dizem em busca de um Brasil e de um mundo melhor é identificar os bons políticos. Existem. É um desserviço enorme julgar que nenhum presta. Esse discurso precisa acabar. Você pode observar casos de biografias exemplares e verdadeiros guerreiros do povo, o Google pode te ajudar nisso.

Hoje o Brasil foi golpeado. É inegável. Pergunto-me pela vergonha dos STFs futuros. Hoje, o preto, o LGBT, o pobre, a cultura, a mulher: é tudo posto em segundo plano. Porque a elite não abraça essas causas. A elite quer lucrar e viajar para Miami duas vezes ao ano. A vida da elite é dura, parece. Quem vai pagar o pato? O povo. Só o povo.

Hoje, eu preciso te pedir algo. Informe-se, seja inteligente para contribuir de forma saudável com um Brasil mais próspero PARA TODOS. Informe-se para ser justo. Ser justo nem sempre é fácil. Ser justo é brigar com os conceitos religiosos da tia avó porque você sabe que tais discurso firmam estereótipos que prejudicam certos grupos. Ser justo é passar dois dias sem falar com o seu pai porque ele apóia parcialmente discursos ordinários de fascistas fantasiados de deputados. Onde está a moral de uma câmara de deputados com um Bolsonaro em 2016? Discurso de ódio não é opinião, aprendam isso.

Ser justo é necessário. Porque é o caminho para um mundo melhor. Ser justo é a ideia de que todos devem ter iguais oportunidades, direitos e recursos. Ser justo é perder hoje, infelizmente em 2016, mas seguir de alma lavada e mais comunista do que nunca. Mais laico do que nunca. Mais revolucionário. “Cada dia um level, igual Pokémon.”

Não seremos uma colônia norte americana em 2016. Somos livres. Nossa bandeira não será simbólica. Viva a independência! Viva o consumo da cultura brasileira!

A esquerda vem aí!!! Se preparem!

Administrador por profissão, aventureiro de coração, escritor por diversão. Um apaixonado e propagador da própria forma de ver o mundo através de palavras. Um louco. Um bom louco!

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Thiago Noronha

Administrador por profissão, aventureiro de coração, escritor por diversão. Um apaixonado e propagador da própria forma de ver o mundo através de palavras. Um louco. Um bom louco!

  • Lara Forte

    Obrigada. Eu tava precisando…