Terrorismo, fundamentalismo e poder: perguntas e mais perguntas.

E o que dizer sobre o Escambau 2.0 além de: “Como é bom estar de volta!”?

Iniciamos a semana com a crítica límpida, serena e certeira de nossa cinéfila Selma Lícia sobre o filme “Aquarius”, do diretor Kléber Mendonça Filho, estrelado pela Sônia Braga. Duas coisas: ambos – filme e crítica – valem demais a pena.

Tivemos, também, o retorno do Rei do Escambacast, afiadíssimo como sempre. Moacir e Wilson receberam Kami Girão e Anderson Tiago para falar sobre a vida e a obra de nosso querido Tolkien. Imperdível.

Na terça, tivemos o poema “História em Alto Relevo”, de Cristina Braga, remexendo – merecidamente – feridas mal-saradas no peito e na pele do Brasil.

Contamos, também, com a estreia de Moacir de Souza Filho e sua coluna, com o texto “Coluna”, onde ficamos sabendo sobre estratégias romanas de guerra, quiropraxia e nomes latinos badass.

Na quarta, dia da Independência do Brasil, Thiago Noronha trouxe uma reflexão mais que pertinente sobre política, liberdade e golpes, posicionando-se de maneira crítica e bem fundamentada sobre a atual situação do país.

Na quinta, Sabrina Rolim nos fez um importante lembrete e convite: as inscrições para o Prêmio Literário da Biblioteca Nacional, que se encerraram no dia 09/07 (sexta). E você, já se inscreveu?

Tivemos, também, a estreia do colunista Michel Euclides, com o conto de FC “Bem-vinda ao mundo real”. Você já pensou o que aconteceria a alguém que se alguém se percebesse humano pela primeira vez?

Na sexta, Moacir nos entrega mais uma de suas pérolas: você sabia que Tolstói foi, também, escritor de não-ficção? Leia este texto e veja se consegue encontrar a ligação entre cristianismo e anarquismo pelas mãos do russo.

No sábado, Suellen Lima, mediadora e criadora do Escambaclube (clube de leitura do Escambau, para quem não sabe), trouxe para nós uma análise de Olívia, o intrigante amor de Eugênio em “Olhai os lírios do campo”, de Érico Veríssimo. Leitura mais que necessária.

Encerramos os posts da semana com a maravilhosa lista de Ana Luíza Ferreira e os “10 incríveis poemas engajados nacionais”, selecionados em comemoração ao aniversário de nosso grande poeta Ferreira Gullar (09/09), e mostrando que a poesia também sabe – e deve – se posicionar.

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E assim foi nossa semana, culminando neste domingo, 11/09. Uma data importante e inesquecível, pois há quinze anos neste dia, o mundo parava, de boca aberta, para observar o ataque às Torres Gêmeas do World Trade Center, em Nova Iorque.

Era manhã. Pessoas em suas casas e empregos pararam qualquer coisa que estivessem fazendo para assistir, nas TVs ou pela internet, dois aviões chocarem-se contra os dois edifícios, causando a morte de quase três mil pessoas.

Naquele dia, e por toda aquela semana, assistimos a um mundo anestesiado pela barbaridade do que acontecera. Pela primeira vez para muitos, os Estados Unidos da América (América!), foram vítimas de um ataque bizarro e cruel, planejado por terroristas-monstros islâmicos.

Bem, pelo menos foi isso o que nos foi dito/mostrado. Na TV, nos jornais, as conversas (pessoalmente ou ao telefone), tudo girava ao redor dos malvados atacando os mocinhos, do maior país do mundo (Justiça, Verdade e o Modo de Vida Americano!) ser picado de forma tão contundente pela “serpente” muçulmana.

Aeroportos foram fechados, medidas de segurança extrema foram tomadas. Todo e qualquer ser humano que tivesse uma mínima ascendência árabe, ou uma simples parecença, seria detido e enviado à uma prisão ultrassecreta, onde seria torturado até confessar a verdade. Tudo em prol do Bem Maior.

E então, surge uma pergunta: o quão cruel precisa ser um ato para que valide minha crueldade na retaliação? O que realmente motivou a Guerra ao Terror que veio em seguida?

Quem são os vilões? Quem são os mocinhos?

Petróleo e poder são sinônimos? E isso é o suficiente para motivar o estupro de nações árabes? E a tortura em nome da Justiça?

Seria o caso de defender os muçulmanos, então? Quem está errado? De quem é a culpa?

Culpa. Às vezes, mais procurada até que a verdade.

Não há nada errado em abraçar uma religião e seguir seus dogmas. Por sermos livres, temos direito de escolher fazer aquilo que nos apetece, mas não podemos nos dar ao luxo de usar esta liberdade como rolo compressor sobre quem pensa diferente.

Mas o que acontece quando nosso pensamento egocêntrico se sobrepõe ao bom senso? O que fazer quando a generalização, sempre preguiçosa e burra, passa por cima daquilo que nos une?

Por que é tão mais fácil concentramo-nos em nossas diferenças apenas quando elas nos separam? Por que somos tão seletivos quanto a nossos amigos e inimigos, mudando de lado de acordo com os interesses?

Perguntas, perguntas, perguntas.

Lá se vão quinze anos de Onze de Setembro e de Guerra ao Terror. O maior acontecimento do século XXI nos revelou que os monstros, quando não são criados por nós, somos nós mesmos. Quem é Osama Bin Laden? Quem é George W. Bush?

Tantas outras atrocidades aconteceram desde então. Atentados, guerras, exploração, invasões… no meio de tudo isso, novos questionamentos se colocam: Quem é americano? Quem é muçulmano? Quem é fundamentalista?

Quem é você? Quem somos nós?

Não se trata apenas de comparar qual tragédia é maior – ou de quem mata mais -,  mas de refletir de maneira mais profunda: o que fizemos, depois de todo este tempo, para tentarmos ser melhores? O que aprendemos com tudo o de ruim que a humanidade pode fazer?

O que você quer? Que valores você defende? Em que você acredita? O que faria em nome de Deus e da justiça?

De que lado você está?

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