A Bienal pelos olhos de quem cria

Sempre gostei de pensar fora das quatro linhas. Trazer objetivos diferentes para locais que, na teoria, visam uma única temática. Por exemplo: sou desses que lacrimejam com vídeos de crianças que decoram a tabela periódica através da música, jogando por terra rótulos imprecisos e tabus conservadores sobre a função da escola.

Sei que ainda não fomos apresentados, mas achei impossível começar o texto de outra forma. Afinal, eu, AJ Oliveira, não abordarei a Bienal Internacional do Livro de São Paulo na perspectiva de quem compra, mas na de quem publica.

— Mas a Bienal não é só um evento em que rolam várias promoções de livros?

Engana-se quem pensa assim.

Para o autor – publicado ou não – a bienal é uma chance de aparecer para o mercado literário. É um convite aberto para trocar experiências com pares de todos os tipos, gêneros e editoras, independente do degrau na escada do sucesso que eles ocupem. Além disso, você também pode brincar de Wallstreet, analisando o quanto a editora X ou Y investe em seus autores e estandes – até porque você não vai querer publicar onde te cobram para lançar um romance, certo?

Pois bem, feito este pequeno release, vamos às minhas impressões.

De inicio, como em qualquer evento importante ocorrido no país, a revolta da vez mirou a prioridade para com os livros de youtubers, e ainda dentro do ônibus para o pavilhão, era nítida a polaridade quando o assunto se resumia ao futuro da literatura nacional indo para uma suposta vala. No entanto, porta adentro, a superioridade gritou em suma ao som dos prós, e não dos contras.

Se de um lado vi adolescentes correndo em ritmo frenético para pegar grade na apresentação de seu ídolo teen, do outro, presenciei horas de fila para renomados autores nacionais. Mas não se engane, além de figurinhas carimbadas como Vianco, Spohr, Pimenta e Munhoz, pequenos fluxos foram vistos em torno de autores em ascensão – nomes que, sem sombra de dúvidas, ficarão muito mais evidentes nos próximos meses.

Além das atividades rotineiras, a bienal acertou com maestria na escolha de seus palestrantes, e talvez por coincidência – creio que não –,  nenhuma das rodas de bate-papo entre autores e editores passou sem perguntas a respeito das futuras chances para novos nomes, sempre acentuando que os aspirantes à escrita necessitam se profissionalizar mais.

Enfim…

Mesmo com uma Bienal marcada pelos reflexos da crise financeira, com estandes reduzidos, entradas caríssimas e falta de preços promocionais nos livros, durante os sete dias de sondagem editorial, as mensagens que ficam evidentes são:

  1. As editoras estão se segurando com a crise, faltará grana pros leilões.
  2. Os preços de livros internacionais vão aumentar (Harry Potter por 80 Reais!!!).
  3. A maré dos livros de youtubers está chegando ao fim.
  4. As editoras já começaram a recorrer aos nacionais de grande porte.
  5. Os grupos editoriais, os que não estão quebrados, já sinalizam a hipótese de investir em novidades nacionais.
  6. Muito cuidado com as novas editoras. Há um número considerável de picaretas surgindo no mercado. Fique longe deles.

E é assim que finalizo o texto, que mais do que prestigiar a mim ou qualquer outro nome, usei para dar um gás na esperança daqueles que, em dois anos, mostrarão na Bienal 2018 que esse texto não foi uma simples previsão, mas uma analise precisa do que ainda está por vir.

Espero que tenham gostado.

“Sejam Dignos de suas histórias”

Leitor da filosofia de banheiro público, além dos doces toques de uma boa e velha trama de horror. Aspirante a escritor e podcaster nas horas vagas.

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AJ Oliveira

Leitor da filosofia de banheiro público, além dos doces toques de uma boa e velha trama de horror. Aspirante a escritor e podcaster nas horas vagas.