“The Hundred Thousand Kingdoms”, de N. K. Jemesin

Pessoal, esta é minha primeira resenha aqui no site.  Tento dar minha opinião sobre as obras tocando em alguns pontos básicos e evitando focar muito na história, afinal uma resenha é para interessar o leitor a procurar o livro, não um resumo. Pensei em focar nos livros brasileiros, como “Filhos do fim do mundo” ou “Deuses de dois mundos”, mas resolvi ficar com minha lista de leitura tradicional. Quando chegar a vez deles, coloco por aqui.

Eu vou variar entre livros de Ficção Cientifica, Fantasia, Horror e Thrillers. Na verdade, iria ficar só em fantasia, gênero que basicamente eu tenho lido direto durante os últimos 5 anos, mas resolvi dar uma leve variada na minha lista, porque eu já tava ficando pirado.

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Já tava vendo o mundo desse jeito

Vamos começar com o magnífico “The hundred thousand kingdoms”. Da ganhadora do Hugo N. K. Jemisin, ele conta a história de Yeine, chefe de sua tribo que teve que abdicar de seu poder e abandonar o luto por sua falecida mãe ao ser convocada para a cidade flutuante Sky por seu avô materno, Dekarta, imperador do mundo e chefe dos Arameri.

O livro segue um pouco o padrão da jornada do herói. Apesar de a protagonista ser uma chefe tribal, em Sky todos a consideram uma bárbara, como toda cultura mais “avançada” e dominante tende a chamar os que são dominados.

O ponto de vista da obra é a primeira pessoa no passado, o que deixa o entendimento um pouco complicado em alguns momentos, principalmente quando se está escutando a versão em audiobook, mas, diferente de muitos livros que usam esse foco, Jemisin tem um motivo narrativo.

Yeine é uma personagem forte, não é uma princesa que precisa ser resgatada a todo momento por um encanador gordinho. Guerreira, criada em uma sociedade matriarcal onde os homens protegem suas casas e as mulheres vão para guerra, ela também é uma diplomata, treinada no jogo político por sua mãe. Ela tem varias facetas, passadas muito bem pela autora, às vezes de forma sutil, outras não. Como ela é a voz da história isso ajuda muito.

Relaxe que ela não é esse esteriótipo
Relaxe que ela não é esse esteriótipo

No mundo retratado no livro, os deuses existem, sendo três deles os principais (Itempus, Nahadoth e Enefa), e vários secundários, filhos dessa tríade. Há muito tempo, houve uma guerra entre eles, onde Enefa foi morta e os derrotados foram aprisionados em corpos mortais, transformados em escravos dos Arameri.

Uma das forças maiores da história é esses deuses serem muito parecidos com os deuses gregos, com suas falhas e comportamentos característicos da humanidade. Outro ponto importante é que os três deuses são irmãos, mas também são amantes. Ao fazer os deuses de seu mundo parecido com o panteão grego, Jemisin coloca uma profundidade de personalidade que atrai e intriga os leitores; quando transforma os irmãos em amantes, além de chocar, a autora adiciona o conflito mais básico e também um dos mais fortes da literatura, o ciúme.

O mundo de “The hundred thousand kingdoms” (eta nome grande) é bem construído, sua história e a de seus personagens são contadas no decorrer do livro, às vezes de forma bem expositória Apesar de na minha opinião faltarem raças próprias, um dos pontos altos na fantasia, o mundo se mostra bem orgânico. Resumindo, não é um pedaço de papel onde os personagens pulam.

Para quem quer fugir um pouco da fantasia tradicional, “The hundred thousand kingdoms” é uma boa pedida. Também é indicado para quem busca uma obra com personagens femininas fortes. E para quem quer ver o potencial narrativo em uma ficção inclusiva, o livro é quase que obrigatório.

Visitador de diversos mundos tentando começar a criar o seu. Aproveitando para deixar suas percepções e tentando trazer o olhar para alguns mundos pouco visitados.

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