Morphina

 

Morphina.

O que você viu hoje? E o que você sentiu?

Se pudesse fazer um livro de fotos com suas memórias diárias,

o que você veria? O que essas fotos te fariam sentir?

Cada pessoa vista, cada folha caindo no chão, cada inseto na janela, qualquer

acontecimento no seu dia poderia se tornar um catalisador.

O que vemos entra em nossos olhos como um tiro e na nossa cabeça

é formada uma bola de neve, uma reação em cadeia que puxa um

pensamento atrás do outro e que possivelmente te levará

a lugar nenhum.

Possivelmente esse pensamento irá esmaecer no próximo estímulo, e virar

mais uma gota de morfina em nosso sangue. Mais um resquício da nossa

anestesia diária.

imag01

Um estímulo pode encontrar o caminho certo, como uma corrente elétrica

procurando o caminho com menor resistência pelo ar,

fazendo um raio desenhar uma raiz.

Uma imagem puxando diversas outras, fazendo um link entre todos

os seus conceitos e criando uma nova imagem intrínseca à sua

consciência.

Um quadro sendo desfragmentado para que cada ponto dele justifique uma ideia. Em cada pixel um significado.

Solve et coagula, destruindo para construir.

imag02

Hoje eu estava no ônibus, vi uma criança com um olhar triste pegar a

mãozinha de seu irmão mais novo e bater nela com raiva, apenas porque

este estava no colo de sua mãe, enquanto o lugar reservado

à ela era a cadeira ao lado.

Mais uma gosta de morfina no meu sangue, mas dessa vez não me anestesiou.

Em três segundos, eu tomei esse tiro em meus olhos.

Uma nova imagem fixa em meus olhos.

Uma nova idéia fixa na minha mente.

Sabe, isso me fez pensar em uma coisa.

Nossa rotina regada à morfina.

Quem eu sou nesse banco do ônibus?

Nove em cada em dez, reagem anestesiados.

Aliás, agora que pensei nisso…

Às vezes,

podemos ser

o último.


Nos acompanhe, às segundas!

Nossa coluna se propõe a fazer uma reflexão com base em fatos cotidianos da nossa vida. Não temos como pretensão criar novas filosofias e pregar alguma verdade aos leitores. Apenas mostrar, com bom humor e por vezes um drama exagerado, o quanto as coisas que vemos por aí poderiam desencadear diversos pensamentos e teorias em nossa cabeça.

Admiradores da cultura pop, mas não necessariamente nerds.
Amantes de Clube da ****, mas não necessariamente desequilibrados.
Na busca incessante por algo que não necessariamente iremos encontrar.

Mattheus Magalhães e Sidney de Oliveira

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