Morphina 2

Talvez, eu tenha esquecido de me apresentar. Eu sou… pra vocês, o entorpecido e eu diria que esse texto tem algo a ver com suicidas, pezinhos de feijão no algodão e contatos no celular

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E sobre a intensa e curta euforia de quase tudo na nossa vida.

São Paulo. Dia Quente. Balcão da Padaria. Diário do Entorpecido no001

O café daqui é ótimo. E o pão na chapa vem do jeito que gosto.

Há três semanas eu sou um frequentador assíduo desse lugar.

Eu não saberia dizer se isso se deve ao fato dessa padaria estar a

duas quadras do meu apartamento, se é por estar ao lado do ponto

do ônibus ou se é porque o chapeiro não tenta puxar assunto comigo

toda amanhã, preservando a confortável ausência de diálogos

matinais. O fato é que esse é o lugar perfeito para meus cafés

da manhã, e mesmo sendo novo no bairro, não vejo motivos

para ir atrás de outras padarias agora.

Ok, não vou me matar hoje.

Se bem que todo paulistano é um suicida em potencial.

Mas eu juro que tenho um ponto, e pensei nisso durante a noite inteira.

Ontem eu assisti um filme no cinema.

Sabe, era um filme que eu realmente queria gostar, e que criei

bastante expectativa antes ver, mas saí da sessão exatamente com

a mesma cara que eu fico depois de um encontro com alguém que eu me apaixonei em um semana, e que já não vejo mais sentido em reencontrar. Sabe qual é? E hoje quando acordei e vi no meu celular três mensagens

de pessoas distintas, mensagens essas que eu não pretendo responder,

e fiquei me perguntando…

{Release the Morphine Drop}

Arco de crescimento do personagem – apesar da minha profissão eu já li um pouco sobre isso – ninguém compra história que começa e termina com todo mundo igual (é incrível pensar nisso já que parece que 70% das pessoas hoje em dia ficam iguais e estagnadas e entediantes e chatas durante a maior parte do tempo).

O que eu quero dizer é que o personagem precisa evoluir – ou regredir – e as coisas que acontecem durante a história devem refletir na sua vida, para que no final do filme ele não seja o mesmo do começo.

Porque esses meus lances não vão pra frente?

E porque não tenho vontade de responder essas mensagens?

Qual foi o último filme que você odiou? Que personagem você até esqueceu o nome durante o livro que você está lendo? Não estou divagando, mas é que um turbilhão de coisas estão fazendo sentido pra mim agora.

Porque eu não me importei com o atirador, nem com

o monstro, nem com a bruxa? Eles pareciam tão legais.

E porque o café ta demorando tanto hoje?

Não precisamos saber “o que”, a gente tem mesmo é que saber “como”.

Pra que ser a plantinha que cresce super rápido, sendo que o algodão só vai a sustentar por três dias? Esse é o retrato do meu interesse nas pessoas.

Somos apresentados num prelúdio intenso de conversas sobre múltiplos assuntos, e já sabemos tudo sobre a pessoa antes que o primeiro ponto de virada nos atinja. Introdução em ritmo de clipe musical, e daí pra frente um encontro, um beijo, uma jantar, uma foda, tudo intensamente e intensamente previsível.

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Quando é assim, no meio do filme a gente já fica pensando em como o filme acaba. E no meio do beijo a gente já fica pensando em como tudo na vida acaba.

Meu café acabou de chegar, junto com o pão na chapa.

Pensando bem o café daqui nem é tudo isso, sabe… e hoje o pão na

chapa veio com manteiga de mais. Não é possível que não tenha algum outro lugar aqui perto, pra eu tomar café amanhã… O pessoal daqui mal dá bom dia. O café aqui é gostosinho até, um dia ou outro eu posso até passar por aqui.

Ou não.

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Admiradores da cultura pop, mas não necessariamente nerds.
Amantes de Clube da ****, mas não necessariamente desequilibrados.
Na busca incessante por algo que não necessariamente iremos encontrar.

Mattheus Magalhães e Sidney de Oliveira

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