Mesmo Se Nada Der Certo

Begin Again (2013) – Direção: John Carney.
Com: Keira Knightley, Mark Ruffalo, Adam Levine, Hailee Steinfeld, Mos Def.
Música: Gregg Alexander.
Gênero: Drama/Musical
Sycamore Pictures/The Weinstein Company


O que faz com que um filme seja grande: o elenco, o diretor ou o dinheiro investido? Ou teremos outros fatores que contem?

Conheci o diretor John Carney no filme “Apenas Uma Vez” (Once), de 2006. Nele, um casal de músicos (Glen Hansard e Markéta Irglová) se conhece e, através da música e de muitos desencontros, conseguem achar sentido em suas vidas.

Neste “Mesmo Se Nada Der Certo”, temos Nova Iorque e Gretta (Keira Knightley,) uma jovem compositora britânica que está se preparando para voltar para casa após ser traída por Dave Kohl (Adam Levine), cantor pop em evidência.

Numa noite, em uma pequena casa de shows/bar, Gretta é convidada por seu primo a cantar uma de suas músicas, e ela o faz, voz e violão, de maneira linda. E aqui, a mágica de John Carney acontece duas vezes: temos três versões/ pontos de vista diferentes de sua apresentação; e num destes pontos de vista, temos Dan Mulligan (Mark Ruffalo, impecável) – um produtor em crise de depressão, que acabara de ser demitido do estúdio que criara -, que se encanta com a música de Gretta, e preenche-a com instrumentos e arranjos de uma maneira surreal.

Essa cena… puxa! Nem tem como descrever direito. Eu me arrepiei inteiro, por ser exatamente daquele jeito que minha mente funciona em relação à música!

Depois disso, após uma forte resistência de Gretta (explicada pelo fato de Dan parecer um mendigo bêbado) e a não-aceitação dela por Saul (Mos Def) – sócio e agora proprietário da antiga gravadora de Dan -, eles começam a trabalhar em um álbum gravado off-studio, no meio das ruas e edifícios de Nova Yorque, com músicos talentosos catados aqui e ali pelo meio da cidade.

O filme é recheado de pequenos detalhes e pérolas. A relação de Dan com a filha (Hailee Steinfeld); a dura separação de Dan e a ex-esposa; a mágoa de Gretta em relação à traição de Dave; e a aproximação, cada vez mais forte, entre a compositora e o produtor.

Mas, ei! Isto não é uma comédia romântica.

Todos os personagens são perdedores aqui. Mesmo os bem sucedidos mastigam fel, são pura futilidade ou possuem uma essência corrompida. Todos foram expulsos do Paraíso, e a música é a única coisa que os une.

A qualidade e genialidade de Carney, do roteiro e de seu elenco é mostrar as pequenas vitórias de cada um. Não são daquelas que trazem uma grande revelação ou transfiguração, porém; são medíocres, comuns – mas nem por isso desimportantes. Reatar com a filha, ficar em paz consigo mesmo, compartilhar uma playlist… coisas que poderiam, muito bem, acontecer comigo ou com você.

Não assista esse filme se você espera finais bonitinhos e soluções clichê. Há becos sem saída e pequenas reviravoltas, mas nada que vá matar aquela sua sede insensata de happy-endings.

A fotografia e a trilha sonora, junto com Nova Yorque, são personagens à parte. As canções são lindas, e muito bem executadas por Levine e Knightley.

Definitivamente, este é um pequeno grande filme que você precisa assistir, se ainda não o fez. Para os amantes de música e cinema, com certeza, será algo a se recomendar.

Abraços a todos e um excelente fim de semana.

Nativo de um século analógico, fã de literatura de FC e Horror. Contista e poeta, escreve por necessidade. Músico e fotógrafo amador, acredita que a beleza do mundo reside no fato de não haver sentido (ou segredo) algum.

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Michel Euclides

Nativo de um século analógico, fã de literatura de FC e Horror. Contista e poeta, escreve por necessidade. Músico e fotógrafo amador, acredita que a beleza do mundo reside no fato de não haver sentido (ou segredo) algum.

  • Juliana

    Eu amei esse filme!