O Shaolin do Sertão

O Shaolin do Sertão (2016) – Direção: Halder Gomes.
Com: Edmilson Filho, Bruna Hamu, Falcão, Fabio Goulart, Dedé Santana.
Música: Gregg Alexander.
Gênero: Humor/Ação
País: Brasil
Globo Filmes


Pegue aqueles belos clássicos do kung-fu, os filmes do Van Damme dos anos 80 e 90, e jogue uma cachaça com melaço de rapadura no meio.

Pense no filme “Rocky”.

Agora ponha Quixadá no lugar de Philly. O Falcão vestido de cangaceiro no lugar de Mickey; em vez de Creed, Tora Pleura; e, para finalizar, o protagonista é um doidin dos pão que está mais para um jegue que para um Garanhão Italiano.

Depois bata isso num liquidificador com um dicionário de cearês e temos “Shaolin do Sertão”!

O filme conta a história de Aluízio Lee, que toma para si o dever de defender a honra de Quixadá, que receberá o lutador Tora Pleura, um fortão que viaja de cidade em cidade desafiando todo mundo. O protagonista parte em busca de um mestre que possa lhe ensinar Kung-fu para poder derrotar o lutador.

Já digo logo que qualquer cearense que faça uma crítica desse filme está comprometido. Ver nossa linguagem e cultura estampado na telona é emocionante. Assim como seu predecessor “Cine Holliúdy”, esse filme cumpre seu papel em divertir muito bem.

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Porém, gostaria de destacar algumas coisas da película.

Eu gostei bastante da fotografia e do uso das cores, que é bem superior ao que a gente costuma ver no cinema brasileiro. Apesar da secura do sertão, as cores dão uma vida para as paisagens. A caracterização dos personagens está muito boa, mostrando um trabalho impecável da direção de arte. O diretor Halder Gomes, brinca de maneira criativa com filtros que fazem aquele ar de VHS meio mofado durante as viagens mentais do nosso protagonista.

Falando nele, Aluízio Lee é padeiro no mercado enquanto sonha em ser um mestre Kung-fu, bem diferente do Francisgleydisson que era, como dizemos no bom cearês, ‘desenrolado’, ele é tímido e inocente. Apesar de ambos serem personagens sonhadores Edmilson Filho conseguiu fazer o novo personagem bem distinto.

Mas nem tudo são rosas.

O filme tem duas barrigas, que faz você pensar que poderia ser mais curto. Uma acontece durante o treinamento, onde a narrativa acaba se esticando e havendo repetição das piadas. E outra é na cena final de luta, que acaba se prolongando demais o que estraga um pouco o clímax.

Outro problema para mim são alguns esteriótipos que, apesar de clássicos, para nossos tempos já não caem bem. O primeiro é forma como são representadas as mulheres que ou são hipersexualizadas ou promíscuas ou os dois! O segundo são personagens homossexuais, retratados afeminados, afetados e caricaturados. Sei que tem quem ainda ri dessas coisas, mas para mim não cola mais.

Por fim, veja no cinema e valorize o que vem sendo produzido no Brasil, principalmente no Ceará! Ainda mais coisas que fogem desse formato globo de produção.

Minha nota!

De zero a dez esse filme é uma garrafa pet de dois litros cheia de bila.

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Idealizador do Escambau, escritor, estudante de História e fã de cultura pop. Somente após vinte e seis anos criou coragem para colocar para fora suas aspirações literárias.

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Wilson Júnior

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