Morphina – Diário 003

Já experimentou a sensação de acordar tendo certeza de que está na sua cama – possivelmente atrasado – e ter aquele choque de realidade ao ver que na verdade está sentado no metrô, na volta para casa¿

O diário do entorpecido nº003. São Paulo. Metrô. Noite.

Acordei e vi que já havia passado da minha estação. Infortúnio que me fez estar na estação da Sé, às 19h.

Eu até falaria que esse é o maior pesadelo paulistano, se eu não fosse falar logo em seguida sobre um sonho ruim que eu tive.

Sabe como é, não sou muito desses links assim tão óbvios.

Meu coração ainda está acelerado, e o ar-condicionado do trem, mesmo não sendo suficiente pra abrandar o calor de tanta gente, está gelando o suor das minhas costas.

O motivo pra esse mal-estar, além do incômodo contato humano típico desse horário nos transportes públicos de São Paulo, é um pesadelo que tive.

Foda pensar isso, mas é uma merda o fato de além dos problemas que já temos, como se já não bastasse a aflição com eles quando estamos acordados, ao dormir a nossa mente nos fode um pouco mais.

E até existe aquele papinho de que o sonho é uma projeção, um artifício da sua mente para resolver seus problemas no subconsciente, mas a verdade é que ninguém gosta de quem fala sobre essas coisas.

Um pesadelo. De um sono no metrô.

Depois de ter chegado cedo no trabalho, porque passou a noite em claro e não havia mais o que fazer em casa. Um pesadelo.

Depois de um dia com um rendimento pífio no trabalho, falta de apetite combinada com prato-feito indigesto e deadlines estourando.

Depois de muito tempo, tive um pesadelo.

E acordei na Sé, em horário de pico.

Enfim, eu sei que um pesadelo não é o fim do mund – wait for it – mas é que a vida não está lá essas coisas e por motivos que eu nunca achei que viriam ao meu encontro. Eu só queria sonhar com uma viagem, ou pizza e cerveja. Relacionamento terminando por brigas que sempre achamos supérfluas demais pra acontecer com a gente, amigos mudados indo embora e fazendo coisas que condenavam com convicção, eu me tornando tão frio quanto nunca pensei que seria… Sei lá

Pensando bem, acho que foi até esse movimento todo no vagão que acarretou esse meu pesadelo. Todas essas pessoas entrando e passando por mim, pressionando suas mochilas contra meu ombro. O choro da criança suada no colo de sua mãe. A conversa fútil dos três jovens engravatados escorados na porta. O murmúrio da senhora que quase não conseguiu entrar a tempo no vagão. O ruído baixo e perturbador do fone de ouvido do cara do meu lado, que ainda por cima está mascando um chiclete.

Talvez meu subconsciente só estivesse reagindo e me colocando numa situação de fuga.

Até que me saí bem no sonho, mas bem que os resultados no devaneio poderiam ser refletidos na minha vida. Assim, a projeção seria justa, não é mesmo¿

E ah! Antes que perca o interesse… o tal sonho, que você pode até achar nada assustador mas que me fez acordar assim, foi sobre um apocalipse zumbi em São Paulo. (¿¿¿¿¿) Imagina!

Cidadãos perturbados, caóticos e em estado de selvageria atacando uns aos outros. Andando perdidos pelas ruas até que algo de diferente acontecesse, para então todos reagirem igualmente e em sinergia, até o próximo hiato cotidiano.

Todos feridos ou com tanto medo de se ferir que mal sairiam ao sol.

Todos apáticos ou numa descarga exagerada de irracionalidade ou histeria.

Um ferindo ao outro, e em questão de tempo e somente de tempo, se tornando exatamente aquilo que o feriu.

Um apocalipse zumbi sim, poderia ser bem assustador.

Um cenário desses sim, seria algo para se preocupar. E não essa mudança minha e das pessoas que eu gost

Espera

Acho que

Admiradores da cultura pop, mas não necessariamente nerds.
Amantes de Clube da ****, mas não necessariamente desequilibrados.
Na busca incessante por algo que não necessariamente iremos encontrar.

Mattheus Magalhães e Sidney de Oliveira

LEIA TAMBÉM:

Morphina

Admiradores da cultura pop, mas não necessariamente nerds. Amantes de Clube da ****, mas não necessariamente desequilibrados. Na busca incessante por algo que não necessariamente iremos encontrar. Mattheus Magalhães e Sidney de Oliveira