Balada para uma flor

Feri a fina flor do teu beijo agridoce:
Areia, sal e chuva.
Numa dança pecaminosa e sem sentido,
Éramos eu, você e aquela manhã de sábado
Cinza e pesada, que caía infinita
Em espirais e ventanias.

Passeamos de mãos dadas e
Demos às mãos o que tocar.
Percorremos nossos caminhos e segredos
Com a sede de quem acaba de sair da juventude
E sente a morte a se aproximar.

Como éramos bobos, nós que acreditamos no amor
Quando tudo o que havia – percebi depois, com o gotejar das eras –
Era uma paixão volátil, vulcânica e voraz.
Éramos carne, e pensamos que era o espírito quem amava…
Pena. A carne só sabe desejar e esquecer.

Fomos eternos ali, à beira-mar
Provei teus lábios e guardei teu sabor.
Feri a fina flor de teu beijo com a violência de uma tempestade
E destilei-te em vermelho e metálico sobre minha língua.
Eu te soube dor e prazer
Como o amor, o mar, a paixão e a ventania.

Como é bela e triste a flor que em vez de ferir
Sangra beijos…

Nativo de um século analógico, fã de literatura de FC e Horror. Contista e poeta, escreve por necessidade. Músico e fotógrafo amador, acredita que a beleza do mundo reside no fato de não haver sentido (ou segredo) algum.

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Michel Euclides

Nativo de um século analógico, fã de literatura de FC e Horror. Contista e poeta, escreve por necessidade. Músico e fotógrafo amador, acredita que a beleza do mundo reside no fato de não haver sentido (ou segredo) algum.

  • Bianca Berdine

    Belo poema

  • Esther Alcântara

    Muito lindo, Michel Euclides!