A Era dos Smartphones

Quantos aplicativos de celular você usa semanalmente?

Numa rápida pesquisa com amigos, foi fácil traçar uma média de vinte. Vinte funcionalidades ligadas à internet que se tornaram indispensáveis para a boa gestão cotidiana de uma geração.

Tudo começou com o surgimento (ou popularização) da internet. A Era digital.

Os historiadores, um dia, assumirão que desde os meados da década de 90, já não vivemos mais a Era Contemporânea. Como A Queda do Império Romano, A Revolução francesa ou A Descoberta do Fogo, a Internet mudou completamente o mundo. Imagine um escritório na década de 70/80 e a quantidade de documentos datilografados circulando em meio a rotinas burocráticas. Aquelas grandes máquinas copiadoras. Aí vieram as impressoras e logo ficaram obsoletas. Imprimir está fora de moda e é ambientalmente irresponsável.

Quando falamos em comércio digital, dez anos atrás, pensávamos que os grandes e estruturados sites de compra e venda, com designs fáceis e convidativos, iriam logo destruir as lojas físicas. Mas ainda estávamos muito aquém do que estava por vir.

Se antes comprar DVDs, livros, tênis, notebooks e tecnologia através da internet era muito mais vantajoso, hoje, esse portfólio de produtos e serviços ofertados nos canais digitais aumentou de forma absurda. E muito mais parece ainda estar por vir.

Primeiro, o Easy Taxi e o 99 Taxi surgiram como grandes concorrentes das pequenas cooperativas locais de taxi. Ligar para pedir um taxi em 2016? Não. Aí veio o Uber e toda a polêmica ao se democratizar a profissão de ‘motorista’. Quanto se desvalorizou uma placa de taxi, imaginem?

Os grandes websites de vendas encontraram na OLX e nos grupos de compra e venda das redes sociais um concorrente a altura. A democratização da vitrine digital.

O Airbnb surge como o Uber da hospedagem. Você pode ofertar ou buscar vagas em quartos de inúmeras cidades pelo mundo. Quartos que, antes, pouco, ou nunca, eram utilizados pelos moradores. Até os hostels, tão moderninhos e tão dessa geração, viram-se ameaçados diante de um serviço similar e tão mais barato ou prático. Se parar para pensar, você só precisa de uma chave, uma tomada, um banheiro mais ou menos ok, uma cama e um wifi para ser feliz viajando pelo mundo. Baixem esse app, vale a pena, como viajante ou para dar uma função para aquele quarto da tia avó que faleceu em 1994. E é legal para conhecer gente. Quem sabe o amor da sua vida é um fiel cliente do Airbnb e se agrada das fotos da sua residência.

Corretores de imóveis foram substituídos por vários apps que indicam em mapas as ofertas de aluguel e venda com possibilidades infinitas de rankings e filtros. Quem precisa de contador quando se tem um app que calcula perfeitamente o imposto de renda? Guia turístico ou CVC? Trip Advisor. Entregar currículos? Linkedin. Ir à lotérica pagar o boleto das Casas Bahia? Bendito sejam os apps de Banco e as câmeras que evoluíram até o leitor de código de barras. Baixar música ou filme no torrente? Difícil demais, não tem no Spotify/Netflix?

Uma parcela significante de indivíduos passou a só consumir filmes e séries de fácil acesso a partir dessas plataformas. São as videolocadoras dessa geração, só que você nunca se frustra por alguém ter alugado aquele lançamento antes de você. Somos a geração que matou aquele prazer de ouvir bater dentro da caixinha da fita k7 ou DVD o papelzinho escrito disponível. Antes dos DVDs piratas e da internet Banda Larga, tive um vizinho que fez fortuna com um Clube de DVDs pornôs. Ele cobrava uma mensalidade de vários dos adolescentes da rua que se interessavam pelo material ofertado e revertia essa mensalidade na compra de filmes adultos. Os DVDs iam passando de casa em casa, que nem a santinha da novena de maio. Esse meu vizinho chegou a ter uns trezentos DVDs. O melhor: não precisava rebobinar. Gosto de pensar que esse cara poderia ter fundado o Netflix. Ou o Xvideos.

Sou um bom fã do Netflix. Gosto do catálogo. É bom que um canal tão popular dê acesso a filmes e documentários menos blockbusters e, às vezes, extremamente informativos como: ‘A 13ª Emenda’, ‘Requiem for The Amercian Dream’. Deixarei, no primeiro comentário desse texto, as minhas indicações do Netflix.

Sabe aquele ímã de geladeira com o telefone da pizzaria? Ifood. Paquerar na balada? Apps de pegação. Inclusive, parem de ter preconceitos com o Tinder e demais aplicativos para conhecer pessoas. Existe todo um mundo e cultura por trás da xavecaçao nessas novas salas de bate papo da Uol. Não é vergonhoso ter Tinder. As pessoas que têm Tinder não são solitários desesperados. Talvez o solitário seja você. É interessante que as salas de bate papo da Uol ainda existam em 2016: um patrimônio cultural. Lembra do MIRC? Qual era o seu nickname? Thiaguinho13.

O Happn surgiu como solução para aquela paixão de ônibus. Sabe aquela pessoa com quem você trocou olhares, mas não teve coragem de puxar conversa? Graças às tecnologias de GPS e a um aplicativo ‘da hora’, você pode reencontrar essa pessoa e descobrir um grande romance.

De todos os apps de relacionamento, nenhum foi tão sincero e sábio quanto o Grindr. Os gays utilizaram-se de do seguinte pensamentos para o alcance do sucesso: não estou fazendo nada e estou aqui perto, sozinho em casa. Algumas pessoas, ouvi falar, usam o Grindr para descobrir fornecedores de maconha. Sempre tem um perfil com o nome de ‘vendo 4:20’, entre outros tantos com nomes variados: ‘dois aqui’, ‘fora Temer’, ‘casado discreto’, ‘Ótica São João’. Uma dica: não seja discreto em 2016. A sociedade não evoluiu até aqui para você se sentir menos viado por ser pouco afeminado.

Essa tecnologia toda, inúmeras possibilidades e acessos e o intenso uso das redes sociais também nos trouxe problemas. Tornou-se muito difícil pular a cerca, para quem é dessas de pular a cerca. A sociedade não evoluiu até aqui para você não ser sincero com o parceiro/parceira. ‘Que tal um ménage com uma colega minha do trabalho?’. Vai numa festa escondido? Saiba que alguma amiga da sua namorada vai bater uma foto sua na balada e enviar via whatsapp enquanto você ainda está na fila para comprar as fichas de cerveja. Disse que vai malhar? E se te pedirem para compartilhar a localização atual? Sim, tem gente assim.

– Meu celular tá descarregando, amor.

– Manda print da tela!

Você já pode comprar por R$ 6,49 um app de GPS fake no Google Store.

Tive um conhecido que usava muito as idas à academia para encontrar outra. Ele era esperto. Ao longo de meses, foi tirando selfies no espelho da academia com todas as roupas que ele costumava usar para malhar. Quando estava no bem bom do motel, postava a foto correspondente à roupa que ele tinha saído naquele dia: #NOpainNOgain. Até que um dia, a namorada estranhou o corte de cabelo do rapaz. Homens não notam isso, em geral, mulheres, sim. ‘Você não tinha cortado o cabelo hoje a tarde?’ A desculpa de que era uma foto #tbt não colou. É necessário inteligência para usar bem as tecnologias. Sempre foi assim.

E agora? O que virá por aí? Bitcoins, Deep Web? Cursos de idiomas sendo substituídos por youtubers que ensinam de graça o idioma natal? Cursos? Tutorial no youtube. Chaveiro para trocar a maçaneta? Youtube. E a esperta professora de história que ganha a vida viajando e gravando aulas temáticas nos locais históricos? As salas de aula serão uma plataforma estilo Netflix? Pokemon Go parace infantil? E quando adaptarem essa realidade semi virtual a algo que te interesse? Ainda te veremos andar na rua com a cabeça vidrada na telinha do celular procurando coisas que não existem sem 4G. Ou você já tá assim? Um dia, a trilogia de Matrix, no Netflix, sairá da categoria ficção cientifica?

– There is no spoon.

Humor à parte, a internet e todas essas acessibilidades e facilidades têm sido usadas de forma muito interessante por essa geração. É a democratização da voz. Discursos que outrora não teriam espaço nos tradicionais e grandes canais de comunicação e mídia agora acham seu lugar e se propagam na internet. Grupos minoritários encontraram na internet formas de se fortalecer e discutir causas. LGBTs, Negros, Mulheres, dentre outros, passaram a denunciar abusos e escrachar pontos de vista em meios de potencial infinito de alcance. Eu quero muito acreditar, e aqui deixo os meus mais sinceros votos, que a internet, como meio democrático e livre, contribuirá para um Brasil onde todos os tipos de causa serão abraçadas em prol de uma sociedade mais igual e justa. Eu confio nessa e nas próximas gerações!

 

* A imagem que ilustra este post é uma charge de João Montanaro.

Administrador por profissão, aventureiro de coração, escritor por diversão. Um apaixonado e propagador da própria forma de ver o mundo através de palavras. Um louco. Um bom louco!

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Administrador por profissão, aventureiro de coração, escritor por diversão. Um apaixonado e propagador da própria forma de ver o mundo através de palavras. Um louco. Um bom louco!