I Prêmio Escambau de Microcontos: Resultado da Semana 3

26 – Encarou, amedrontado, a folha em branco: nunca fora um escritor, nem mesmo um medíocre. Entretanto, agora precisava focar-se para que sua mensagem chegasse, concisamente, ao leitor. “Por favor,”, escreveu, tremendo, “Me dê o dinheiro. Eles estão com a minha filha”. (William Alves)

26 – – Os quadros. Os vasos. Os tapetes. Os móveis. As cores das paredes. Os pisos. Tudo clean. Gostei muito da decoração da sua casa. Só achei que aquela esfinge não combinou muito! Deixou o ambiente carregado!
– Não é esfinge. É a minha sogra! (Geraldo Trombin)

26 – Em cada canto da casa um bilhete, para lembra-la do que a mente esquecia facilmente. Logo esqueceu porque os bilhetes estavam ali, até esquecer, inclusive, como escreve-los. (Tati Honorato)

26 – Na Noite do Demônio, véspera do Dia das Bruxas, ele matou toda a família com uma furadeira elétrica. Ao ser interrogado pela polícia, respondeu: “As serpentes… Eu tinha que tirar as serpentes da cabeça deles!” (Jhefferson Passos)

25 – “Fiz o ritual de invocação. O selo de proteção não era forte como imaginei”. Eram as únicas palavras no bilhete manchado de sangue. (Nayara Rossi Brito da Silva)

25 – Dalila seduziu Sansão. Durante a noite, ela cortou-lhe o calcanhar. Ainda bem que ele se apresentou com o nome de Aquiles. (Claudio Antonio Mendes)

25 – Desta feita ela não se jogou ao chão e se agarrou àqueles grossos calcanhares para impedi-lo de ir embora. Não houve cena. Ficou na cozinha preparando um café. Ele saiu…batendo com força a porta, numa estranha sensação de ter perdido todo o domínio. (José Bandeira de Melo)

24 – Olhou para o chão aos seus pés e viu o corpo parar de se mover. Apertou em suas mãos o castiçal sujo do sangue do escritor que o criara. (Nayara Rossi Brito da Silva)

23 – Só gostava de gente de bom humor. Não bebia qualquer coisa. (Zé Ronaldo)

22 – Viviam entre sorrisos e gargalhadas, cócegas e piadas. Depois de uma vida gozando juntos, estavam convictos de que acertaram ao casar por humor. (Aldenor Pimentel)

21 – “É de coração” as palavras da vizinha idosa que fora uma grande designer ecoavam em loop. Quando deixou que fizesse a decoração da sala de estar, pensou que era uma oferta generosa, de boa vontade. Não pensou por um instante que chegaria em casa e encontraria centenas de corações espalhados pela sala. (Laeticia Monteiro)

21 – Contratou um investigador para saber de onde vinha as vozes que ouvia. Uma pena que elas tinham álibis. (Isaac Morais)

21 – Encurralado, o investigador ergueu os braços. Contudo, não houve piedade. Ele foi alvejado por três tiros precisos da pistola d’água. (Soraya Coelho)

20 – Jacinto Regoroxo vivia do humor, mas não achava a mínima graça. (Sabrina Dalbelo)

19 – O calcanhar. Teia armada. As fiandeiras, não tendo o que fazer, tecem e olham. As aranhas. Famintas, a tudo querendo controlar. Aquiles olha pra Helena e não sabe como foi parar ali. O tiro comendo solto. A cidade em pandemônio pronta pra cair. Aquiles foge. A bala, o amor, e o calcanhar estourado. (Joedyr Bellas)

19 – O escritor assustara-se: no monitor, uma história estava sendo escrita. E ele nem começara a digitar ainda… (Zé Ronaldo)

18 – Presenciara muitas coisas na vida, mas era a primeira vez que o faquir conhecia uma serpente encantadora de flautas. (Aldenor Pimentel)

17 – – Mas Ele faz o que com tanto tempo de sobra no paraíso Candinho?
Indagava, a pequena, o garoto que estava deitado no leito do hospital olhando para o céu pela janela.
– Ele é escritor. (Jean Paulo)

17 – 6 anos. O livro que escolheu foi um Atlas do Corpo Humano.
— Hum… Filhão vai ser investigador… — O pai foi interrompido.
— Tenho que conhecer. — Apontou para o esqueleto humano. — Vou derrotar ele.
— Por quê?
— O médico me botou na máquina que vê por dentro. Tinha um esqueleto lá, rindo de mim. (A.c. Costa Ferraz)

16 – Cabra arredio, caboclo ensimesmado, macambúzio. Viveu pouco, e sozinho. No velório, nem carpideira apareceu. No desocupar do quarto, dentro da puída guaiaca, um bilhete ensebado, carcomido, todo dobrado. Nele, rabiscado: “ocê é meu bem-querê”. Pena não ter aprendido a leitura. (Regina Ruth Rincon Caires)

15 – Contava piadas durante o enterro de sua avó. Alfinetado pela mulher por conta do humor negro, respondeu que era porque estava de luto. (Guilherme Barbosa)

14- Ela ordenou que os homens levassem a nova peça para o canto da sala e, assim que eles saíram, parou para observar sua nova aquisição. Era uma bela estátua humana em tamanho real. Ela só não percebeu que toda vez que se movia sua nova decoração a acompanhava com os olhos. (Nayara Rossi Brito da Silva)

13 – Náufrago, encontrara o bilhete na garrafa. Era o mesmo de duzentos e cinquenta anos atrás. Mas a caligrafia estava diferente agora, pensou. (Zé Ronaldo)

12 – O investigador tinha diante de si cinco mistérios e não sabia um terço sequer. (Claudio Antonio Mendes)

11 – Sua beleza era tanta que paralisava qualquer um que a visse, mas, para isso, precisou usar algumas perucas para disfarçar as serpentes em sua cabeça. (Isaac Morais)

Top 10

10 – As luzes coloridas refletiam nos olhinhos inocentes. Estava fascinada. As mãozinhas, coladas na vitrine iluminada pela decoração de Natal, suavam de tanta excitação! Olhava tudo, imaginava, voava. Ficou assim por minutos, até ouvir a voz adulta: vamos logo, não podemos perder o lugar sob a marquise! (Regina Ruth Rincon Caires)

9 – Era boiuna, a serpente rainha, a cobra grande, a mãe do rio. O rastro de sua presença causava assombro e admiração entre os ribeirinhos. Mas, de uns anos pra cá, represaram o rio, a selva recuou, a magia foi sumindo. Acabou num quiosque em Belém, vendendo artesanato em couro de cobra pra sobreviver. (Diego Sampaio)

8 – Ela era fogo e tempestade, desastre encarnado. Conquistava o que quisesse e deixava um rastro de dor e confusão em seus calcanhares. Viveu intensamente e até esperava morrer violentamente. Só não esperava que seu algoz fosse seu próprio coração. (Camila Villalba)

7 – O investigador não aceitou o pagamento. Fora contratado para encontrar a filhinha do casal, e não uma poça de sangue. (Bianca Berdine)

6 – Todos gabavam a decoração do bolo de casamento. Imaculadamente branco com fitas e flores, e os recém-casados no topo. Durante a festa, à socapa, um convidado comeu a noiva… (Filomena Gonçalves)

5 – No trapézio, Arturo Bambini segura o irmão mais novo, Vitto, pelos calcanhares. Você lembra o que mama sempre nos dizia, Vitto? Não, Artie, o quê? Não perca a confiança no próximo. E o que é que tem isso? Muita burrice se meter com a mulher de quem te segura pelos calcanhares, não? (Zé Ronaldo)

4 – A língua dividida da serpente evocava desejos múltiplos em Eva. A maçã foi só pra disfarçar. (Tatiana Alves)

3 – – Má notícia, dona Soraia. – o médico guardou o estetoscópio, fez cara de enterro. – Seu marido sofre de senso de humor do tio do pavê.
– E isso é contagioso, doutor??
– Não sei dizer. A senhora vai ter que perguntar ao Mário.
– Que Mário? (Marina Costa)

2 – O frasco de remédios estava vazio, exceto pelo bilhete com a letra do filho: “Procurando os compridos pra enxaqueca? Meu corpo está na banheira.” (Bianca Berdine)

1 – Por vocação, seria escritor. Por necessidade, era escrivão. Seu alento estava em emitir as certidões mais poéticas da comarca. (Lara Forte)

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