#03 Pro-ta-go-ni-te | s. f.

Sonho de protagonizar situações improváveis.

Quando comecei a coluna, comentei que ela ia diferir d’O Dicionário das Tristezas Obscuras pelo fato de que nem todos os verbetes seriam lamentos. No entanto, foram duas tristezas – ou sentimentos agridoces, na melhor das hipóteses – que figuraram em Outubro. Então, pra começar Novembro com bom humor, resolvi falar sobre a protagonite.

(Antes de mais nada, devido ao nome sugestivo do sentimento, aqui vai um aviso importante: NÃO confundir a protagonite com a certeza crônica de que você é protagonista da vida e o mundo gira ao redor do seu umbigo. Isso chama egocentrismo e, além de não ser um sentimento, não é nada legal.)

Não sei se a protagonite é uma coisa infantil, se é uma coisa comum a quem gosta de criar ou se é uma coisa infantil que simplesmente nunca cessa em quem gosta de criar. Mas é aquela esperançazinha saudável de que um dia vamos ser protagonistas de coisas muito legais, não importa o quão improváveis sejam estas coisas. Tipo ganhar um Oscar (quem nunca ensaiou um discurso?), viajar à lua, viver um apocalipse zumbi, competir em uma Olimpíada, viajar no tempo…

Por exemplo: eu, quando criança, sofria de protagonite em relação ao sonho de ser veterinária de animais selvagens e trabalhar em uma reserva na África, ou viver em um navio pesquisando baleias tipo o Jacques Cousteau (imaginei essa vida com tantos detalhes que poderia escrever até um seriado completo para o Netflix – talvez seja uma outra protagonite essa, aliás). Também tinha a protagonite de trabalhar nos sets de gravação de Senhor dos Anéis ou Harry Potter (apenas), ser desenhista da Pixar (mesmo que eu nem saiba desenhar), trombar com o Stephen King em alguma viagem de avião (super específica essa) e até alcançar a presidência do Brasil (socorro).

Essas protagonites passaram – mas novas vieram, claro. Atualmente, vira e mexe me pego pensando em como eu poderia fazer a diferença em uma invasão alienígena. Mas minha protagonite preferida ainda é aquela em que eu imagino que nunca vou morrer. Sim, às vezes eu tenho uma certeza esquisita de que a humanidade vai descobrir, antes da minha velhice, uma maneira de ser imortal – transferência de mentes, interrupção do desgaste dos telômeros, alguma substância maluca tipo fonte da juventude? Não sei.

E aí, claro, a primeira coisa que ia fazer com a minha vida eterna seria arrumar um barquinho tipo o do Jacques Cousteau e ir viver no mar, estudando as baleiras. Tipo um inception de protagonite. Vai, é uma boa esperança pra se ter, não? 🙂

E com você? Você sente protagonite do quê?

É leitora, filha, viajante, irmã, escritora, colaboradora do Clube de Autores de Fantasia e do Pacotão Literário, humana da Pipoca e da Paçoca e, nas horas (não) vagas, engenheira de processos industriais. Devaneios, textões e fotos de filhotes em:

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Jana P. Bianchi

É leitora, filha, viajante, irmã, escritora, colaboradora do Clube de Autores de Fantasia e do Pacotão Literário, humana da Pipoca e da Paçoca e, nas horas (não) vagas, engenheira de processos industriais. Devaneios, textões e fotos de filhotes em:

  • Gina Eugênia Girão

    Ora, pensei que apenas eu sofria disso! rsrsrs Adorei!

    • Janayna Bianchi Bruscagin Pin

      Hahaha você não está só, Gina! 😀
      Percebi que tem muita coisa que muitos de nós sentimos, mas não há um nome pra esses sentimentos. Nessa coluna eu vou tentar pensar em algumas coisas! hehe…