#05 A-le-grú-ria | s. f.

A alegria de lembrar, em momentos aleatórios do dia, que alguma coisa boa aconteceu ou vai acontecer

Não gosto de ser pessimista ou ficar repetindo que a semana/mês/ano/inferno astral tá sendo ruim, mas 2016 tá REALMENTE baixo astral. Então, resolvi continuar a série de sentimentos do bem!

Bom, alegrúria é relativamente simples de explicar. É aquele quentinho no peito que a gente sente no meio do dia quando lembra de alguma coisa boa que aconteceu, que está acontecendo ou que vai acontecer. Não é a alegria original do acontecimento; é uma alegriazinha colateral que surge nos momentos mais aleatórios.

O legal da alegrúria é que ela é democrática, às vezes quase simplória. Do mesmo jeito que tem alegrúria que surge da sensação maravilhosa de adotar um novo bichinho — você tá lá trabalhando, aí lembra do peludo(a) que vai te receber no fim do dia fazendo festinha e seu dia fica melhor — tem também a alegrúria de ver que aquele seu pacote tá chegando pelos Correios, ou de lembrar que é dia de novo episódio do seu seriado ou do seu programa favorito (beijos, MasterChef), ou de lembrar que a noite você vai encontrar aquele amigo que não vê há tanto tempo, ou de saber que vai sair filme novo daquela franquia. E aquela alegrúria incrível de lembrar que tem feriado semana que vem? Ou de lembrar que vai poder dormir até mais tarde amanhã? (Não sei se sou eu que tô muito cansada ultimamente, mas essa alegrúria anda sendo muito constante na minha vida…)

A alegrúria pode ser ainda mais gostosinha quando a alegria original ainda é segredo. Quando você ainda não pode contar pra ninguém que arrumou um emprego novo, ou quando aquele negócio/projeto legal ainda está em sigilo, ou quando você tá esperando aquela coisa legal vingar — um relacionamento, uma viagem, uma promoção.

Mas o que torna a alegrúria tão legal, acho eu, é justamente essa propriedade de ficar dando motivos homeopáticos pra gente ser feliz. Ou apenas pra gente lembrar que essas razões pra felicidade ainda existem dentro da gente. 🙂

É leitora, filha, viajante, irmã, escritora, colaboradora do Clube de Autores de Fantasia e do Pacotão Literário, humana da Pipoca e da Paçoca e, nas horas (não) vagas, engenheira de processos industriais. Devaneios, textões e fotos de filhotes em:

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Jana P. Bianchi

É leitora, filha, viajante, irmã, escritora, colaboradora do Clube de Autores de Fantasia e do Pacotão Literário, humana da Pipoca e da Paçoca e, nas horas (não) vagas, engenheira de processos industriais. Devaneios, textões e fotos de filhotes em: