Quando o grito da podosfera rompe os fones de ouvido

No último final de semana, mil e quatrocentas cabeças provaram à CCXP (Comic Con Experience) o que é o poder do áudio.

O auditório literalmente ficou pequeno para todos, então mesmo com quinhentos desses amantes da mídia não podendo entrar, esse tal de podcast gritou para a #CCXP2016 e provou que merece respeito.

Há quem diga que:quanto mais barreiras o público burla para consumir uma determinada mídia, mais forte ela se torna. E dentre tantos “o que é feed?”, “Agregador? Oi?” e “O que diabos é podcast?”, essa cambada abandonou atrações de grande porte para abrir o peito e abraçar seus amigos sonoros que ganharam traços, pele e rosto.

Sob risos, os podcasters resumiram o quanto o áudio é capaz de obliterar o estresse de uma longa semana de trabalho, falando sobre assuntos que vão desde o escatológico até o fornecimento de jargões que apenas outros ouvintes entendem, mas que você insiste em usar no seu dia-a-dia.

Foi um véu de amor e empatia que cobriu o preconceito do “é só um programa de rádio na internet” e traduziu o podcast como “Inclusivo”. Uma mídia democrática em que o photoshop financeiro, a ditadura da beleza e a paleta de cores biológica falham miseravelmente diante da injeção de conhecimento que os ouvintes desejam ter.

Sob lágrimas, qualquer barreira entre podcaster e ouvinte foi quebrada. Foi dito que mesmo num trabalho sem remuneração, as experiências de quem espera a semana inteira para apertar o botão play premiam o produtor de conteúdo. E essa premiação chega constantemente, sem prévio aviso, com e-mails sobre o quanto alguns Kbps’s audíveis adubam a felicidade de numerosos serumaninhos por esse Brasilzão.

Os braços da podosfera são incontáveis. Difícil entender como não nos ligaram aos illuminatis (talvez esta seja uma tarefa para o pessoal do MundoFreak), mas eles estão ao seu lado desde as marombagens do GymCast, até as pautas científicas do Scicast. Desde o papo publicitário do Braincast, até a roda de cinema e sotaque nordestino do RapaduraCast. Mas se nada disso te interessar, se sua vibe pender mais para farra e diversão eletrônica, Jogabilidade e Meia Lua vão te dar as melhores dicas dos melhores roles e dos melhores jogos que seus melhores amigos insistem em não comprar. Mas antes que eu cite mais podcasts e digam que esqueci um ou outro, evitarei a polêmica para ir direto ao fim, afinal, só o Mamilos é capaz de abordar a “treta” sem cairmos nos ranços das redes sociais.

No fim das costas, dentre tantos produtores, dentre tantos textos bonitos lidos por outras vozes bonitas (Jujuba – Scicast / Luciano Pires – Café Brasil), os mais de mil podcasts foram devidamente representados com um grito que vinha há tempos entalado na garganta, um grito sem o objetivo de exaltar o narciso como um “vocês não sabem o que estão perdendo”, mas o grito de quem chama mais pessoas a fazer parte desse universo de alegria, conhecimento e representatividade acessíveis, pois como a Juliana e o Luciano Pires fizeram questão de ressaltar…

ESSA MÍDIA SE CHAMA PODCAST, E ELA É FODA!!!

Leitor da filosofia de banheiro público, além dos doces toques de uma boa e velha trama de horror. Aspirante a escritor e podcaster nas horas vagas.

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AJ Oliveira

Leitor da filosofia de banheiro público, além dos doces toques de uma boa e velha trama de horror. Aspirante a escritor e podcaster nas horas vagas.