O Sonho da Menina e do Dragão

Era uma cidadela campestre e medieval. As pessoas estavam entretidas em seus afazeres. Nada era muito notório neste lugar, a não ser as grandes montanhas verdes ao seu redor, que formavam um lindo vale florido. Algumas crianças brincavam, outras ajudavam os mais velhos; os adultos trabalhavam, mas alguns jogavam conversa fora. Porém, tudo mudou em apenas cinco segundos quando aconteceu um tremor.

Logo em seguida, o céu se escureceu com a fuligem que o animal lançava de suas narinas pelo ar. Logo todos começaram a tossir e tentavam a qualquer custo se esconder da criatura que sobrevoava a cidade. Achavam que o invasor se interessaria por alguns dos animais que a cidade criava como bois, vacas, galinhas, patos, cavalos. Mas a sua intenção não era saciar a fome. Era apenas a destruição.

Ele surgiu e começou lançando seu fogo em cima das pequenas casas que se encontravam perto dos portões de entrada. Logo o fogo subiu a tal ponto que as pedras ruíram e despedaçaram alguns cidadãos. Em seguida, foi para o lugar onde eram guardados os animais. Ouvia-se o desespero deles, que se contorciam e corriam para evitar a morte. O dragão olhava nos olhos de cada um daqueles que padeciam de esperança. Eles sabiam o que tinham feito. Aquele ataque não era racional ou instintivo. Era de vingança.

A sonhante viu o temor das pessoas: algumas já carbonizadas, outras rolando pelo chão para tentar apagar as chamas, outras se escondendo; mas as garras do dragão eram tão implacáveis quanto a sua boca infernal. A sonhante, sob a forma de uma menina, atreveu-se a chamar pelo dragão e a olhar em seus olhos.

Os dele eram vermelhos como sangue pulsante; os dela eram amarelos. Ambos ficaram hipnotizados e deslumbrados com a imponência – à sua maneira – de cada um. Logo os olhos da sonhante se tornaram azuis da cor do oceano, assim como os do dragão. O cabelo dela, que antes era castanho, agora era de um amarelo intenso. Ela se aproximou do dragão, e ele sabia que ambos já estavam conectados havia tempos, mas que ela precisava da matança dele para entender da sua própria grandiosidade. Ela não era mais a pequena menina da cidade: agora, era a cavalgante alada. A sonhante montou e ambos foram embora, deixando aquele lugar para nunca mais voltar.

São nos sonhos que eu encontro as respostas para viver a realidade que não consigo entender.

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Juliana Ferraz

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  • Claudia Jeveaux Fim

    Merece uma continuação! Parece o “encontro” de fases: infância com adolescência, onde os dragões começam a aparecer… rsrsrs. Muito bom!

    • Ju Ferraz

      Obrigada, Cláudia! Acho que vai rolar uma continuação, sim. Beijinhos. =]