O Sonho da Escolha

sonhante está numa casa no meio da floresta. É uma casa familiar. Não era a dela, mas o sentimento de pertencimento nostálgico em seu peito fazia com que ela reconhecesse aquele lugar como um canto há muito tempo escondido em sua mente. À sua frente estava uma mulher, uma de suas tias não muito querida pela família. Ela engana e é ardilosa, mas seu nome de flor faz que com as pessoas demorem a desconfiar da sua insensatez e egoísmo monetário. A tia está muito séria. sonhante tenta entender o motivo daquela reunião. 

Ambas estão sentadas em cadeiras de madeira maciça na sala. Uma mesa grande de madeira está à frente das duas e em cima dela está uma caixa de madeira. A caixa tem a pintura em movimento de um casal dançando um minueto. O casal está vestido a caráter com roupas do século XVII nos tons azul celeste e salmão e perucas brancas. O cavalheiro está fazendo uma reverência para a sua dama. Esta lhe oferece a mão, mas parece não estar mais propensa a dançar. 

sonhante pega a caixa nas mãos e a examina de forma muito cuidadosa e delicada. Percebe que a caixa é mais pesada do que imaginava ser, apesar de não ser grande. Tinha o tamanho de uma caixa de música de criança. A caixa tinha lascas de azul pelas suas bordas. Por último, viu que na parte posterior e inferior esquerda estava talhado algo que ela não conseguiu ler, pois não sabia em que língua estava escrita, mas ela entendeu o significado. Eram símbolos longilíneos que mais pareciam uma assinatura. A inscrição era antiga. Era de sua avó. 

sonhante percebeu que a tia na verdade estava sob a capa de outra personaEm uma conversa telepática, a tia mencionava já tinha tomado uma decisão. Ela estava decidida a fazer algo. A sonhante sabia o que ela queria fazer, mas em nenhum momento, a ação foi dita. A sonhante pegou em seu braço com força e lhe disse que não fizesse o que estava pensando. Ambas sabiam que isso iria machucar outras pessoas. A família não seria mais imaculada. Mas a tia não se importava em criar manchas no santo sudário genético 

Aos poucos, algo foi tomando conta do corpo da sonhanteSeu corpo vibrava de forma abrupta e de dentro para fora. Ela sentia as batidas do coração na garganta. Sua voz agora soava mais velha e ecoava pelo vento que entrou pela casa derrubando a porta e agora formava um rodamoinho. As mulheres estavam no epicentro. A sonhante sentiu a força de uma antepassada calorosa em suas veias: sua avó. 

A tia reconheceu a autoridade da entidade presente no corpo da sonhante e se assustou. Ela pegou a caixa como se fosse abri-la, mas não conseguiu. Estava trancada. A sonhante apenas se levantou da cadeira de onde estava e lançou um “não” alto, forte tenebroso pelo vácuo da casa vazia. A sonhante pegou a caixa das mãos da tia e mais uma vez a avisou para que não fizesse o que estava pensando em fazer. Esse seria o último recado. Essa deveria ser a escolha final.  

sonhante acordou do seu sono profundo ainda ouvindo as reverberações da voz antiga contidas na própria garganta. O coração batia rápido. Ela agora sabia que decisão tomar. Aprendera através do inconsciente que o “não” a salvaria de se machucar no futuro e que nem sempre uma proposta com rosa exclui os espinhos. 

São nos sonhos que eu encontro as respostas para viver a realidade que não consigo entender.

Juliana Ferraz

São nos sonhos que eu encontro as respostas para viver a realidade que não consigo entender.

  • Emerson Braga

    Que leitura gostosa, Juliana! Muito bom!

    • Ju Ferraz

      Obrigada Emerson. Que bom que gostou. =]

  • Dayse Ribeiro

    Gostei do texto e do assunto! Sonhos me fascinam!

    • Ju Ferraz

      Que bom, Dayse. Fique ligada no próximo texto então 😉