Resultado da Semana 3 – V Prêmio Escambau de Microcontos

1 – Nanci Ricci

Deu um beijo de batom e escreveu “Te amo e te perdoo” no final da carta que enviou para si mesma.

2 – Nilo Paraná
Ao vê-la passar ele se deslumbrava. Seus movimentos graciosos, seu sorriso, tudo nela o encantava. Quando saia lampeira do colégio e sentava no banco da praça ele a observava. Queria falar de amor, recitar poemas. Imóvel e preso em seu pedestal, não podia sequer afastar as pombas de sua cabeça.

3 – Lohan Lage Pignone

No circo, o engolidor de espada matava os sapos que deglutia ao longo da semana.

4 – Nena Medeiros

O tio dizia que eram cócegas.

Ela não conseguia rir.

5 – Steverson Silva

Essa palavra lembrou-me de uma desilusão amorosa.

Me apaixonei por um par de sapatos.

De tão caro, me contentei com migalhas do amor – um par de meias.

6 – André Cunha

Amarrou a fita branca no seu tornozelo e saiu para guerra. Acreditava que ela traria sorte.
Acordou na cama do hospital, sem o pé e sem a fita.

7 – Fabiano Sorbara

A alma desprovida de humanidade à espreita. As meninas, distraídas, no rio se refrescam.

8 – Denise Andressa Gonsalez Santos

Martelando, o ferreiro falava ao neto: “Espada e escudo são feitos do mesmo metal, mas só um serve à morte. Qual é o mais desejado?”
“A espada?” arriscou o menino.
O velho assentiu. “Pessoas não buscam armas para se defender; elas querem o direito de matar. Lucra-se mais com a morte que com a vida.”

9 – Claudio Antonio Mendes

Considerava cada morte que executava um poema de sua autoria. Naquela noite a encomenda era uma baita de uma epopeia. Mas para não deixar rastros, teve também um haicai.

10 – Cirineu Pereira

Sorria sim, doutor, diante de um beija-flor, dum arco-íris, cachorro, passarinho, criança brincando, por qualquer bobagem. Dizia sentir cócegas n’alma. Então, quando a enfermeira nova se foi, o riso murchou, virou lágrima. Inquirido, se autodiagnosticou, o espírito sente cólicas.

11 – Talles Lopes

Assinou aquela carta de despedida com o ímpeto de quem assina a própria liberdade.

Tatuou o silêncio na pele;
deixou a escrita gritar.

12 – Romeu Martins

Divorciado da Chuva, o Rio tinha uma escadinha de filhos pra criar: Córrego, o caçula; Riacho, o do meio; e Ribeirão, o adolescente rebelde.

13 – Marco A Vieira

Aos seis anos, Teo perdeu o pai. A mãe teve de se mudar com ele para a fazenda onde trabalhava. Ao ver o rio que passava ao fundo e notar que ele era bom, até dava comida aos socós, o menino correu à mãe:
— O pai voltou! Aquele rio cuida das coisas como o pai cuidava de mim! Aquele rio é o pai!

14 – Carolina Santos

Fincou definitivamente a espada no chão. Acabaram as lutas. Respirou o vazio aliviado sem prestar atenção nas pilhas de corpos em sua volta.

15 – Rita Zuim Lavoyer

Sapatinho preto colegial, meia ¾ , sainha plissada, camisa branca, marias-chiquinhas enfeitadas com fitas coloridas… Lá vai ele, todo serelepe, pra vida noturna, disfarçado de normalista, para ensinar aos brutos, ao seu modo, que não se pode dar a um homem sugestões de como ele deve se vestir.

16 – Tatiana Alves

Sempre era alvo de chacota entre os amigos por conta do bairro distante onde morava. Diziam que era o lugar onde Judas perdera as botas. Ela sorria amarelo, pensando que, na verdade, tinham sido as meias. As botas ele perdera no bairro anterior.

17 – Emerson Conto

Esquecidas na última gaveta da cômoda, as luvas e as meias de Aurora não seriam mais capazes de aquecer as extremidades mutiladas pela Ditadura.

18 – Luiz Antonio Caldas Filho

Encontrou a fita do seu casamento totalmente mofada, danificada, irrecuperável. Nunca tinha sido tão atual.

19 – Edweine Loureiro

Em busca da famosa tribo isolada da Amazônia, o ambientalista europeu desce o rio numa canoa, tentando imitar os índios. Nisto, é ultrapassado pelo cacique da referida tribo, que, sorridente, acena-lhe do jet ski.

20Elias Alves da Silva

Aprendeu grego para lhe mostrar que seu amor desconhecia barreiras. Aprendeu braile para lhe escrever poemas.

21Nena Medeiros

Assistiu a “Treze Razões Porquê”. Comparando sua vida à da protagonista, percebeu que não tinha tantas queixas. Deixou só uma fita.

22Juh Cavalcante

Contemplou seu belo trabalho. Nunca tinha feito nada igual, orgulhou-se completamente do que via à sua frente. Quando percebeu a sujeira que se espalhara, arrependeu-se de ter tirado tudo, menos as meias que estavam ensopadas de vermelho vivo.

Nunca mais esculpiu melancias usando meias brancas.

23Carolina Santos

Foram as carícias suaves das meias de seda que fizeram do meio homem a mulher inteira.

24Edweine Loureiro

Na véspera do Natal, escreveu uma carta pedindo o retorno da mãe. Só ficou em dúvida a qual Papai destinaria a mensagem: se ao Noel ou ao “do Céu”. Por fim, decidiu enviar a epístola à penitenciária, onde o pai cumpria pena por homicídio conjugal.

25Mylena Oliveira

Saía em suas noites livres buscando a liberdade de ser que a sociedade lhe tolhia. No que restava do tempo, afirmava convicto da fragilidade do que proferia: sai pra lá, eu sou espada!

26 – Iolandinha Pinheiro

Fez um POEMA real em quatro versos:

Matou – enterrou – se mandou. Nunca mais voltou. Dava muita importância para rimas.

27 – Sabrina Dalbelo

Sentiu algo roçando embaixo do seu braço. Sentiu também leves toques no pescoço.

Não riu.

Ninguém sente cócegas enterrado vivo.

28 – Juh Cavalcante

Todo ano o presente de aniversário de casamento era o mesmo, uma linda fita de seda. Foi o que ela ganhou de seu marido no momento em que fizeram os votos no altar. A fita simbolizava o laço de união. Mas depois de vinte anos de casamento, ela olhava para a fita como a linda mordaça que passou a ser.

29 – Lilly Araújo

No Concurso de Poemas on line, ele resolveu inovar: stalkeou sua chrush, baixou uma foto dela e postou. Foi sumariamente desclassificado pelos jurados. Já ela, pediu o número do seu whatsapp.

30 – Romeu Martins

Que bonitinha esta sua planta carnívora! Olha, ela tá tentando me morder! Hahaha faz até cócegas…

Cuidado! Essa não é uma planta carnívora…

Aaaaaahhh!

…é uma planta vampira!

Suco de clorofila! Eu preciso beber suco de clorofila agora!

31 – Sá Tiro

Bruno colocou o automóvel no túnel da lavagem automática e afastou-se, para evitar olhares incómodos. Assim que as escovas mecânicas começaram a esfregar a superfície do carro, começou um diabólico festival de buzinas, faróis e solavancos.

Ninguém acreditava, mas eram cócegas.

32 – Iolandinha Pinheiro

Nunca conseguia ser a VENDEDORA DO MÊS. Passou a escrever CARTAS de amor para si mesma e as remetia para o endereço do trabalho. Se não podia ser a melhor, pelo menos seria a mais gostosa.

33 – Denise Andressa Gonsalez Santos

As cartas chegavam diariamente havia quase um ano; uma única folha com um número vermelho em contagem regressiva.
Já passara pela curiosidade, apreensão, irritação e, por fim, sentia uma espécie de pânico.
Trêmulo, rasgou o envelope que devia conter o número 1. Dentro, apenas uma palavra: Amanhã.

34 – Luiz Antonio Caldas Filho

Desembainhou a espada. Arrependeu-se logo em seguida, mas era um homem e, como tal, não poderia voltar atrás. Todos se lembrariam de sua coragem, e de como morreu jovem.

35 – Carolina Santos

Arlindo, Anna e o pequeno Ualisson acamparam por meses porque ali disseram que o grande rio chegaria como o milagre de Antônio. Arlindo ensinava a pesca que desconhecia ao filho. De fato chegou. A grande propaganda e o filete de água morta.

 

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  • Mile Cantuária

    Um melhor que o outro como sempre.

  • Delma Maria Lucchin

    Maravilhosos! Parabéns a todos!

  • liz1066

    … sugestão: ao lado do nome do autor, podia haver a palavra q gerou o conto.

  • José Carlos Brandão

    Parabéns a todos!

  • Lilly Araújo

    Consegui ler todos, enfim. Muito legal!