Refustedo

Eu queria gritar: Ei, vem me salvar! te amar nos cobertores;
Descobrir nos teus seios os sabores; a tenra maciez da tua tez.
Eu queria te ter em minhas pernas, ir fundo às tuas cavernas:
A da boca rouca e a da virilha que treme em minha saliva ativa.

Eu queria morder a tua nuca – te fazer ronronar como maluca;
Minha barba em tua coxa. Perder a minha roupa entre os lençóis.
Te prender em outros nós, o meu e o teu laço que formam [nós];
Nus no escuro de outros olhos; esquecidos. Nur para tua sombra,
Eu queria que tu sumisses em meus abraços, largada na alfombra.

Olha meu sabre que aponta a ti, contornado por tua pele; salve!
Tua alma que se abre eu a queria à mim [egoísmo puro desejo];
O teu interior é carmim como a flor que despetalo aos teus pés,
Vejo por teus olhos por um instante, e esse instante é o cosmos
Infinito, como infinita é a hora que se passa ao revés dos relógios.

Vem! esse prazer é o que te posso dar. Pega em meu peito meu
Coração que pulsa o teu gozo. Jocoso é o depois que nos resta e
A fome que nos consome [agora] é a da barriga; periga a paixão.
Não tomas o não a nossos instantes – sobramos nós os amantes,
E a certeza que esse dia foi feito exatamente como ele pareceu:
Corpos unidos no breu e o querer de bem-querer um dia assim.

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  • Claudia Jeveaux

    Super sensual! Uma sonoridade deliciosa! Parabéns, Wellington!

  • Fabiano Sorbara

    Sensual e envolvente na medida certa, parabéns!