Whey Protein

A não ser que você more em outra galáxia, esta palavra é absolutamente – assustadoramente -familiar: “Whey Protein”. É um composto com alto teor proteico, possuindo trezentas e oitenta milhões de variações. Dúvida? Tem isolado, hidrolisado, rico em caseína, tem 3 W, com soro de leite, tem a base de soja, em gel, líquido… ufa….

As quantidades de vitaminas também variam incrivelmente (carboidrato, que é o verdadeiro terror, oscila mais que o rendimento do saudoso “Parazinho” – Alô, Inmetro? Alô, Fantástico?). O fato é que o Whey virou moda. Todo mundo toma Whey (do poeta ao jogador de sinuca). Virou algo cool. Se você não toma Whey, está totalmente por fora. E todos sabem que quando algo vira moda, as aberrações crescem – feito o tríceps da Gracyanne Barbosa (aquilo me assusta, sério.) – e todos mergulhamos em um mundo onde as anilhas e as barras olímpicas imperam (e todos vivem sob a coroa e o cedro majestoso de Ronnie Coleman – um cara com mais dobras que o garoto propaganda da Goodyear – e não, o Schwarzenegger  não é o Rei (Pode até ser um mensageiro importante, ou, quem sabe, o responsável por fabricar a proteína real, mas o negócio dele é Hollywood).

Então, coisas estranhas começam a acontecer. Se não, vejamos: um sujeito (velho camarada do futiba das sextas) começa a tomar Whey, assim como quem toma Gatorade. Aí você diz: “Pô, tá na pilha hein! E a academia?”. A resposta é maravilhosa: “ainda não comecei, mas to acostumando o organismo com o Whey”. Como se fosse pré-requisito fazer uma “experiência” com o produto. Eu imagino um nutricionista falando: “Olha, eu passei a tua dieta por e-mail. Estou convicto de que tu obterás os resultados aguardados seguindo-a adequadamente. Ah, já ia me esquecendo, o Whey Protein que eu coloquei ali é o melhor repositor de proteína que existe. Mas tu terás um período de adaptação. Pode ser perigoso. O baque no organismo pode ser mortal. Pelo menos três meses antes de iniciar os trabalhos na academia, determino que tu faça uma “experiência” com tal suplemento (se possível, relate por escrito alguma mudança na tua saúde)”. E quando o sujeito lança a mão de encontro à maçaneta da porta, é surpreendido pelo nutri: “Tenha cuidado!”. Sem contar no tipo de gente que é mais cética, que incorpora o suplemento protéico livremente em sua dieta (uma Ana Maria Braga turbinada com Whey). E ai de quem questioná-los: “Essa porcaria nem funciona, eu tomo quando eu quero, é ultra cara, essa enganação!”. Os anêmicos então, idolatram… “Eu tava me sentindo meio cansado, correria do trabalho e da facul. Daí, comecei a tomar Whey pela manhã”. Logo, percebemos que o número de gente que ama jogar dinheiro no vaso sanitário cresce de forma voraz.

Fato: é impossível repor as quantidades diárias de proteínas apenas se valendo dos alimentos tradicionais (falando especificamente em ganho de massa muscular). Talvez construir um aviário e ter uma plantação de batata-doce em casa facilite as coisas. Logo, percebemos que o Whey surge para que ninguém seja transformado em um agricultor correndo atrás de galinhas o dia todo. Varia muito de marca pra marca, mas dentro do plano do mundo real, dois scoops dão conta do recado. Isso me faz lembrar a parte que eu particularmente adoro: as toneladas de marcas que existem no mercado. Sério. Existe MUITA coisa. E isso torna esse mercado uma rinha ensandecida de briga de galos. Creio que deva rolar ameaças de morte aos marqueteiros concorrentes. O engraçado é que o pessoal que cuida da publicidade dessa área acredita piamente que seus consumidores jamais ultrapassaram a faixa etária de 13 anos. Pega um pote de Whey. Ok. Agora, me responda (sem mentir) qual cor predomina na embalagem. Se você falou azul, amarelo, rosa, lilás, vermelho, dourado (eles amam utilizar o dourado), parabéns. Esse é exatamente o enfoque abordado, o que me remete, imediatamente, aos baleiros ultra coloridos que flutuavam no balcão do armazém que habitava os sonhos da minha infância. Sem citar as monstruosidades escritas nos rótulos (que sempre prometem o máximo em alguns dias, horas, quase milésimos de segundo). Se o teu é preto e branco, considere-se um “estranho no ninho”, porque esses são muito mais raros (se bem que ir na contramão do estabelecido é uma puta jogada da publicidade). Os sabores, também, são os mais “comuns” possíveis: das frutas tropicais ao chocolate. Do morango ao sorvete de baunilha caramelizado. Realmente, eles pensam em tudo. Cada detalhe é calculado. Como todas as exigências de mercado, existem os “motherfuckers-ohmygod-ultra-hiper-blaster” excelentes, os ótimos, os bons, os, ruins, os péssimos, os não aprovados pelo Inmetro e a IntegralMedica (capaz, existem outras na frente dela, certo). Uma coisa é absoluta; se tu, almofadinha do capeta, tá tomando o petróleo da Optimun (me avisa que podemos rachar…), é porque pertence à elite jubilosa do Whey de Poa (mentira que importando é, até, dignamente possível).

Então, percebemos que o Whey é responsável por uma revolução social em nosso mundo. Sua importância é vital para nossa existência (e sobrevivência). Mas, nunca, jamais, em hipótese alguma esqueça o teu “shaker” (tipo o material de trabalho do barman – aliás, Whey com álcool deve ser demais. Mas já deve existir. Afinal, eles pensam em tudo…) no fundo da mochila, armário e afins. Terá uma surpresa aterrorizante ao abri-lo.00

Sou estudante do quinto semestre de fisioterapia. A escrita surge pra mim como uma real necessidade fisiológica, no sentido de que eu jamais pude suportar completamente as atribuições e encargos sociais necessários a uma vida coletiva. Logo, sou grato às palavras pela companhia sempre presente.

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André Luis Rosa

Sou estudante do quinto semestre de fisioterapia. A escrita surge pra mim como uma real necessidade fisiológica, no sentido de que eu jamais pude suportar completamente as atribuições e encargos sociais necessários a uma vida coletiva. Logo, sou grato às palavras pela companhia sempre presente.