Cinema Nacional

Cinema nacional. Taí um puta de um assunto polêmico. Antes de qualquer outra coisa, é necessário fazer dois apontamentos: 1-institucionalmente, o cinema brasileiro não existe. Claro, enfrenta a dureza, que milhares de outros países enfrentam, de ter de competir com uma coisa chamada Hollywood (não é pouca coisa – um filme “deles” financia 2 anos de produções nacionais, no mínimo). Investimento, fomento político, patrocinadores, demanda de público… nossos cineastas são verdadeiros magos da sétima arte. 2- comentários do tipo “é só putaria”, “só tem palavrão”, “ é igual a  novela”, “é sempre na favela”, “aquelas comédias ridículas”, são de uma superficialidade abismal. Reduz tudo ao microcosmo da poltrona de nossa pacata sala de estar. Óbvio que na superfície o papo é outro. Tem muita bobagem sendo vendida com pompa e grife de butique. Mas centralizar tudo nas imperfeições é apenas uma forma de analisar a esfera de algo muito mais complexo.

Quem faz cinema no Brasil é um guerreiro. É um sujeito que sabe que terá um orçamento pífio, que terá de rearranjar todo o projeto montado em sua mente, que lutará até o fim por cada apoio conquistado.

Agora, um papo aos mais ligados: tem uma coisa que variável alguma altera; a busca pela papa-fina. Assim como há 50 anos, procurar por películas de qualidade dá trabalho. Não é olhando os filmes em cartaz no jornal que conseguiremos encontrar algo realmente consistente (e isso tecnologia alguma altera – pode-se aperfeiçoar a ferramenta de busca, mas a mesma se mantém relativamente árdua).

Glauber Rocha. Cinema Novo. “Uma câmera na mão e uma ideia na cabeça”. Esse cara é referenciado demais no cinema internacional. Ganhou prêmios famosíssimos. Foi um gênio. Ok, seus filmes são intensos, profundos (simbolismos sem fim), mas é essencial estarmos a par de sua obra. É como aprender sobre Machado de Assis na escola (e creio piamente que esse tipo de sujeito deveria ser tratado em sala de aula com a mais absoluta seriedade). É como (mal e porcamente) termos uma vaga ideia de quem foi Heitor Villa Lobos. Mas, como todos bem sabemos isso não ocorre. E pode somar tudo: governo, sociedade, cultura… a omissão é brindada de toda a parte.

Walter Salles talvez tenha sido o sujeito que mais chegou perto de um Oscar possível (ok, foda-se a premiação daqueles Yankees babacas, que só olham pra porra do próprio umbigo – sim, o resto do mundo está em “melhor filme estrangeiro”. Tipo, nunca uma produção nacional terá “o melhor ator”, seja lá da merda que for), com o incrível “Central do Brasil”, denso, sensível, coisa fina mesmo. Eu conheço outra pedrada matadora dele, “Abril despedaçado”, o filme que derrubou todo o muro preconceituoso que eu “deixei” ser construído através de comentários ridículos e tendenciosos da imprensa brasileiro sobre o ator Rodrigo Santoro: “Ponta de Santoro em Blockbuster”. “Participação discreto do ator brasileiro em um filme internacional.” Ou seja, a intenção é sempre de ridicularizá-lo. Um verdadeiro “cala-te boca!” aos críticos.

O cinema nacional clama por socorro: de público, de governo, de publicidade, de mídia, de colaboradores, de investidores e, principalmente, o meu e o seu.


*Imagem: Glauber Rocha (https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Glauber_Rocha.jpg)

Sou estudante do quinto semestre de fisioterapia. A escrita surge pra mim como uma real necessidade fisiológica, no sentido de que eu jamais pude suportar completamente as atribuições e encargos sociais necessários a uma vida coletiva. Logo, sou grato às palavras pela companhia sempre presente.

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André Luis Rosa

Sou estudante do quinto semestre de fisioterapia. A escrita surge pra mim como uma real necessidade fisiológica, no sentido de que eu jamais pude suportar completamente as atribuições e encargos sociais necessários a uma vida coletiva. Logo, sou grato às palavras pela companhia sempre presente.