Insólita Prisão

Um conto sobre o corpo, a mente e as metamorfoses da vida.
(Livremente inspirado por “A Metamorfose” de Franz Kafka.)

1.

Depois de várias horas insones, Gregório pegou um exemplar do livro “A Metamorfose” de Kafka, para dispor-se a lê-lo sentado em sua inseparável cadeira. Disperso com os próprios pensamentos, demorou por alguns minutos a abrir o clássico volume, tinha em suas divagações motivos suficientes para impedi-lo de qualquer ação que exigisse um desprendimento da realidade e suas consequências.

Ali, sozinho em sua biblioteca, uma sala de proporções exatas e simétricas, com estantes que remetiam a clássica disposição de móveis que outrora tinha encontrado na casa de seu paterno avô, ficava a vislumbrar lembranças imagéticas de seu passado, motivadas por um erro passional. Motivos esses que estendiam as horas durante as madrugadas, horas pesadas sem que Gregório conseguisse se entregar aos braços oníricos de seu subconsciente. Hoje, porém, o peso parecia maior. Gregório, sozinho, não venceria a batalha. Batalha que travava desde o dia do fatídico acidente.

Pensando assim recorreu a Kafka, que até o presente momento permanecia imóvel em sua mão esquerda. Já conhecia o livro, ganhara o seu nome através da obra. O avô, literato inveterado, botou em seu primogênito, pai de Gregório, o nome de Gregor, trazendo assim ao filho a herança da metamorfose e seu gosto pela literatura. Desde as primeiras sentenças lidas nas páginas de um velho exemplar, o pai de Gregório sentia-se intimado a gostar da história ali contada. Com o tempo, o dever converteu-se em prazer. E, do prazer de ter um filho aos braços, surgiu um nome: Gregório.

Gregório que agora não tinha tempo para contos. Pensava em histórias tão reais que seus ouvidos zumbiam com os gritos de dor que ecoavam em sua cabeça, reflexo impresso no fundo escuro de uma lembrança recente. Uma lembrança tão poderosa que retirava Gregório de sua atual condição. Ele não se encontrava mais sentado à fria e metal cadeira. Não segurava mais “A Metamorfose” de Kafka. Não estava mais imóvel da cintura para baixo. Encontrava-se perdido, absorto num tempo que não era aquele. Estava de volta ao pesadelo que o pressentia de tempos ruins. Estava novamente, metamorfoseado em um inseto.

2.

São quinze para as sete de um dia qualquer. Dia qualquer dito assim muito mais pelo esquecimento da data, do que pela sua real importância; hoje será o dia da transformação de Gregório.

Febril, com a cama empapuçada de suor, tem um pesadelo onde se vê metamorfoseado em uma barata digna do conto kafkaniano. Não tem tempo de avaliar as consequências de tal acontecido, pois é despertado bruscamente por sua paixão ordinária: Tiquê.

Tiquê era a responsável pelo cotidiano amargurado de Gregório. Gregório era o responsável pelo cotidiano amargurado de Tiquê. Assim os dois se amarguravam dia a dia, tendo no sofrimento o único elo que sustentava tal insuportável relação.

Naquele dia qualquer, Gregório se viu livre de um mal através das mãos de um mal ainda maior. Morava, a pouco mais de dois anos, com Tiquê num apartamento alugado do subúrbio de Florianópolis. Um apartamento pequeno, o único que conseguia pagar com seu baixo salário de professor. Com poucos e melancólicos móveis; um casulo depressivo, retrato da condição emotiva e psicológica do casal. Ficava ali quanto menos tempo pudesse. Saia cedo e retornava tarde. As carícias vazias ele deixava para as poucas horas da madrugada, momentos insólitos de preenchimentos mentirosos, da mecanização do amor.

Tiquê era um divino mistério. Contava com dois anos a menos de vivência do que Gregório no corpo, pois a alma já tinha vivido muito. Sofrido muito. Amado, talvez.

Moravam desde sempre próximos, poucas quadras, porem nunca se encontraram até o dia da morte do velho senhor Aníball, avô paterno de Gregório. Tiquê tinha os olhos marejados durante todo o enterro. Olhos de uma melancolia ressentida, olhos de cortejar a escuridão assim somente. Olhos que atraíram Gregório. Olhos que o devoravam, violentos questionadores, impassíveis espelhos da realidade.

Gregório sentou na cama, vertiginoso pela sensação do súbito despertar, tentou organizar o turbilhão de pensamentos que faziam o quarto derreter ante a seus olhos. Buscou em volta, ficando a olhar perdido para a boca de Tiquê, que estava a mexer descontrolada. Aos poucos foi atinando de onde estava: o quarto familiar, quadros de pessoas queridas, o tapete comprado pelo e-bay. Pode ouvir então com clareza, os sons que proviam daquela boca impaciente:

-… você está me ignorando Gregório? Me diga o que está acontecendo… Você está doente? Você conseguiu molhar toda a nossa cama. O que se passa com você?

– Me deixa, Tiquê! Estou atrasado para o trabalho…

Gregório se levantou, tomou um banho, vestiu-se e partiu; deixando uma Tiquê descontrolada, a conversar com as paredes.

3.

Desperto de sua viagem temporal ao passado, Gregório percebe o suor a molhar sua face. Percebe também Kafka caído ao chão ao lado da roda de sua cadeira. A falta de prática em manejar a nova extensão do seu corpo, transforma uma simples ação em frustração. Frustração essa que vai aos poucos crescendo, atirando Gregório aos braços de sua mãe.

Ele vê nitidamente os olhos devoradores de seu pai, olhos de cólera, que saltam das órbitas como desejosos libertos de uma prisão, a lhe perseguir. Consegue identificar também sua voz. Um trovão a rasgar o limpo céu azul naqueles dias secos de inverno. Ele ouve sons que vão tomando a forma de palavras:

– Gregório! Vem até aqui! Não adianta se esconder atrás da saia de sua mãe. Você vai conseguir esfolar aquela maldita perdiz! Nem que seja a última coisa que eu te faça fazer, você vai abrir aquele bicho!

O pai de Gregório pega-o pelo braço, apertando-o mais que o normal. A mãe desaba em lágrimas. Os empregados olham com olhos de piedade aquele pobre animal, conduzido a força para tornar-se parte da cadeia natural da sobrevivência: Gregor; Gregório; a perdiz. São esses olhos, os mesmos olhos que Gregório tem para o animal menor do que ele próprio.

Ao tomar posse da faca manchada de vermelho, dá-se início a duas prenunciadas mortes. O pai o segura pela nuca, com a boca a salivar um ódio escondido pelo peso da feliz imagem, um ódio armazenado pelo cotidiano, pela frustração de uma vida recheada de concessões. Ao chegar de frente a sua vítima, Gregório tem um último momento de piedade pela perdiz. O pai o aperta. Gregório então fecha os olhos e conduz a faca ao pescoço da indefesa ave – tem no pensamento a figura de seu pai.

Está consumado. Morrem, em um só movimento, perdiz e inocência.

Gregório está ao chão.

Sobre seus insensíveis membros inferiores, a cadeira em nada o afeta. Segura firme na mão esquerda “A Metamorfose” de Kafka. Precisa somente voltar à sua posição normal. Sozinho, inicia o processo de retomada. Banhado de suor, o corpo mancha o caro carpete. Pensa em desistir.  Em clamar por ajuda. Novamente o olhar de seu pai lhe vem à mente. Segura firmemente a cadeira mais próxima para junto de seu corpo, para assim, num último gesto de exaustão, conseguir subi-la.

A cadeira de rodas fica mais distante do que ele realmente desejava. Decide então descansar um pouco. Lembra-se de Kafka. Abre o clássico volume e lê:

“Numa manhã, ao despertar de sonhos inquietantes, Gregor Samsa deu por si na cama transformado num gigantesco inseto.”

4.

A história do jovem Gregor Samsa – um explorado mascate que numa súbita manhã se percebe metamorfoseado num inseto – toma conta da cabeça de Gregório nos minutos que se passam. A cada sentença lida, as imagens povoam um lugar que até então era tomado por dolorosas memórias. Gregório por breves minutos vê-se livre do maior flagelo que um homem pode suportar: a memória.

Desprende-se da mancha negra que tomava suas madrugadas; durante o dia a rotina era responsável por matar boa parte da sua vida. Nos breves minutos que as lembranças o atacavam durante a luz, uma breve ida ao banheiro mais próximo, seguida de uma picada, o retirava da presença dos fantasmas passados. Somados rotina e vício, eram suficientemente eficazes contra os desprazeres do destino. Durante a noite a balança pendia, trabalhando contra Gregório. As madrugadas eram longas e os efeitos passageiros. Dormir não era uma opção.

Então ali, depois de um longo tempo afastado da literatura, descobria novamente os prazeres extras sensórios de uma boa leitura.

-Um homem transformado num inseto, não seria um inseto sonhando em ser um homem?

Gregório parou diante de tal questionamento. Olhou em volta, retomando a visão da biblioteca, dos móveis que lembravam a seu avô, dos livros dispostos em ordem militar, ainda que de militar Gregório não tivesse nem o serviço obrigatório.

Olhou para os porta-retratos, as pessoas que um dia amou, que deixou que o amassem. Que conviveu e que odiou. Fixou seus olhos na foto de Tiquê de maneira piedosa, a mesma maneira quando junto da pobre perdiz. Tiquê se encontrava radiante – como são falsas as fotografias – tendo como fundo uma solitária árvore. Forçou a mente em tentar recordar o dia registrado naquele quadrado de papel. Inútil. Sua lembrança não estava mais acostumada a dias de sol. Em contraponto Gregório recebeu do seu passado um pouco mais daquilo que pretendia abandonar. Recebeu de volta, por castigo a infâmia que é a felicidade, o dia da sua metamorfose. Do seu transformar.

5.

Chove.

Gregório chega impaciente a faculdade, o sonho ainda o instiga. O suor. O inseto. Pede um pouco de café puro. Duas colheres de açúcar, nada mais. Seu estômago dói. Acena com a cabeça a uma antiga professora de uma matéria que não recorda mais o nome. Talvez esteja enganado, talvez nunca tivesse aulas com a tal. Seria apenas mais uma velha docente, amuada pela falta de perspectiva que a vida lhe oferece, flertando com o jovem e o proibido. Talvez Gregório esteja confuso com tudo aquilo.

– O que eu faço aqui? – pensou Gregório diante da porta da sala 302. Talvez eu deva me deixar faltar um dia. Hoje, quem sabe?

Saiu sem perceber o aceno do antigo professor de uma matéria que não recorda mais o nome.

Ainda chovia.

Gregório tem nas mãos a materialização de seus temores internos: elas estão tremulas. Imprecisas.  Deixa a chave escorregar para baixo do carro. As poças são como espelhos sujos; naturais espelhos sujos, infectados pela natureza. Ao abaixar-se Gregório se vê refletido na água como um inseto. Assusta-se. Cai e molha toda a sua calça, sente o frio de estar sozinho, na chuva. Arrasta-se para baixo do carro: um inseto! Pega a chave e hesita. Sente, com o peito de contra o chão, uma proteção repentina. Não está mais deslocado. Talvez ali seja o seu lugar.

O homem, a chuva e o inseto ao chão. O inseto, a chuva e o homem. O inseto e o homem na chuva. O homem-inseto ao chão. O homem: talvez não.

6.

Aquela mão delicada que Gregório agarrava, mão de mãe, lhe dava total segurança diante do inédito acontecimento. Ele sabia que não poderia ficar para sempre guardado aos aposentos de sua espaçosa casa.

Escola era como chamavam. A primeira vista parecia um local de pavor e assombro ao pequeno, que de tanto temer, apertava mais e mais aquela mão delicada; mão de alimentar.

Tudo para ele se traduzia numa sentença maior do que era originalmente: os outros eram como grandes e asquerosos insetos. O pai era uma sombra com voz de trovão. Não tinha irmãos, era o erro único, como inúmeras vezes ouviu seu pai falar, sem o mesmo saber que o pequeno o ouvia. A mãe era branca e luminosa, como aquela estátua que via todo o domingo. O avô era gigante e tinha barbas de algodão doce. Quando estava entre o pequeno e o pai, aumentava ainda mais de tamanho. O mundo era enorme. A esquina o infinito.

Não chovia naquele dia.

Ao chegar à porta, estavam outros iguais a ele agarrados a segurança de uma mão delicada.

Antes de iniciar nos novos mistérios do mundo, Gregório levou um beijo. O mais presente beijo de sua vida. Um pouco molhado, como chuva.

7.

Chovia.

Gregório voltou a perceber seu estado de inseto deitado sob o carro, todo encharcado por naturais espelhos sujos. Estava ali por quanto tempo? Levantou-se. Embarcou no carro tão velho quanto as memórias e partiu.

Tiquê estava a encharcar lenços de papel, quando percebeu o movimento agitado das chaves na porta. Duas voltas e meia depois, encontrou o vulto de um homem completamente encharcado a entrar. Era o motivo de sua amargura. Gregório entrou apressado, deixando um rastro de lama da entrada até a porta do banheiro. Precisava limpar-se. Tinha na mente as imagens de seu corpo metamorfoseado, das pequenas perninhas a balançar, do par de antenas, da couraça dura e avermelhada. Tinha a memória da mão delicada da mãe. Dos olhares piedosos dos empregados, do olhar colérico de seu pai, da perdiz, de Tiquê e dos insetos que o rodeavam. Malditos insetos que ficavam a zunir em seu ouvido, sempre a mandá-lo, sempre a criticá-lo, sempre a zombar. Ouvia seu pai a dizer:

– Esse rapaz é o meu erro único. Não sei por que fui lhe dar o meu nome. Se eu sou Gregor, ele é o inseto. Nunca seremos o mesmo. Qualquer dia lhe atiro uma maçã ao dorso, talvez assim me liberto desse…

– Não fale assim Gregor. Ele é único.

Enquanto a água sob os pés de Gregório se manchavam com a sujeira que escorria de seu corpo, Tiquê esmurrava a porta, nervosa a mexer sua boca, querendo descobrir motivos para uma vida ordinária assim como a deles.

Gregório em sua cabeça começava a ouvir os berros do pai:

– Gregório! Vem até aqui! Não adianta se esconder atrás da saia de sua mãe…

Tiquê aumentava a violência com que tentava esmurrar a porta, botando para fora todos os anos de amargura ressentida, todos os anos que foram deixando a projeção do início do amor para trás.

Gregório só via o pai e a pobre perdiz.

Tiquê foi para a cozinha apanhar qualquer coisa que a auxiliasse no processo de abertura do exílio que o banheiro havia se tornado. Assim como ela, a fortuna estava de prontidão. Viu, por primeira coisa, uma faca. Apanhou, por primeira coisa, uma faca. Nem teve tempo de chegar ao banheiro. Avistou, saindo confuso através do vapor que escapava pela porta, o vulto de um enorme inseto. Era Gregório que só conseguia avistar a persona de seu pai, através do corpo amargurado de Tiquê. Ouvia sair de sua boca, os mesmos sons que um dia já o machucaram:

– Você vai conseguir esfolar aquela maldita perdiz! Nem que seja a última coisa que eu te faça fazer, você vai abrir aquele bicho.

– Não hoje pai. Eu mudei. Olha no que o senhor me transformou…

Gregório corre de encontro a Tiquê. Toma a faca de sua mão e empurra a mulher de contra ao canto escuro de sua cozinha, canto onde a sujeira costumeiramente ficava a se esconder.

– Vê pai, não tenho mais piedade…

Assim está consumado. Morrem, em um só movimento Tiquê e Gregório.

Após breves momentos a sanidade retorna de maneira avassaladora. Gregório, retomado pela humanidade, encontra no corpo inerte de Tiquê a lembrança da perdiz. Seus olhos se convertem em piedosos espelhos, que só refletem o corpo manchado de Tiquê, fiel retrato da rotina amargurada. Não sabe o que fazer. Seu corpo está banhado de suor. Suas mãos estão trêmulas. Seus pensamentos são como nuvens carregadas. Ele então avista as chaves do carro. Talvez uma fuga para uma vida nova, talvez um novo transformar. Sai eufórico a caminho do automóvel. Não percebe o corpo nu manchado de vermelho, não há tempo para isso. Arranca novamente transtornado. Só pensa na fuga. Vê novamente os insetos a lhe cercar. Precisa fugir deles. Precisa voltar a ser um homem.

Mergulhado nos mais profundos e escuros pensamentos, não atenta ao sinal vermelho, tal qual o seu corpo.

Enfim, numa manhã, ao despertar de sonhos inquietantes, Gregório deu por si numa cama de hospital transformado num gigantesco inseto, inerte da cintura para baixo.

8.

Gregório está de volta a familiar biblioteca. Kafka está aberto, junto ao seu peito.

Ali, sozinho, percebe sua condição: Julgado; inocentado.

– Ele tem um histórico de maus tratos, meritíssima. É vítima de um conto mal escrito. Tem desde o nascimento, a vida marcada pela metamorfose. Tem hereditariamente o sangue de um inseto. Também vamos levar em conta de que a vida já lhe impôs uma transformação. Deixemos que ele conviva assim com as lembranças, no seu estado não pode fugir delas, se é que a senhora me entende.

Ali, sozinho, percebe de sua condição: Julgado, culpado.

A cadeira de rodas está distante demais para alcançá-la. Percebe uma barata a subir pela janela que se encontra ao lado da estante de onde retirou o livro de Kafka. De súbito, arremessa a obra, esmagando de pronto o pobre inseto. Com a morte, Gregório sente uma satisfação que lhe faz gargalhar. Tão alto que atrai a atenção de outro morador da casa. Ouve a voz de um trovão a rasgar o limpo céu azul, como naqueles dias secos de inverno:

– Aconteceu algo Gregório? O que fazes aí sozinho, fora de tua cadeira?

– Estava lendo pai. “A Metamorfose” de Kafka. O senhor pode me ajudar a voltar para a cadeira?

– Claro. Mas vamos logo com isso, que não tenho a noite toda. – o senhor Gregor pega o filho ao colo. Gesto que a tempo não fazia. Ficam, assim, por alguns segundos, olhando fixamente um ao outro. Logo após, Gregório está finalmente em sua fria e metal cadeira.

– Mais alguma coisa? – pergunta Gregor.

– O senhor podia me alcançar aquele extrator de grampos?

– Claro, aqui está. Mas o que você quer fazer com…

Está consumado.

“Numa manhã, ao despertar de sonhos inquietantes, Gregor Samsa deu por si na cama transformado num gigantesco inseto. Estava deitado sobre o dorso, tão duro que parecia revestido de metal, e, ao levantar um pouco a cabeça, divisou o arredondado ventre castanho dividido em duros segmentos arqueados, sobre o qual a colcha dificilmente mantinha a posição e estava a ponto de escorregar. Comparadas com o resto do corpo, as inúmeras pernas, que eram miseravelmente finas, agitavam-se desesperadamente diante de seus olhos.” – Franz Kafka

FIM.

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